Membros da comunidade Ashoka são destaque no Prêmio Jabuti Acadêmico

Pessoas em pé sobre um palco, algumas aplaudindo, outras sorrindo e segurando troféus. Ao fundo, um telão projeta a capa do livro “Espécies de Aves do Rio Cubaté: Terra Indígena do Alto Rio Negro”, com ilustrações de aves coloridas. No canto esquerdo da projeção, aparecem os logos da Câmara Brasileira do Livro e do Prêmio Jabuti Acadêmico.

Na última terça-feira (05), a Câmara Brasileira do Livro anunciou os vencedores do Prêmio Jabuti Acadêmico. Nesta edição, membros da comunidade Ashoka foram reconhecidos por trabalhos que celebram a diversidade de saberes e fortalecem a preservação da natureza e dos direitos dos povos indígenas.

Uma das obras premiadas é o livro Espécies de Aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro, vencedor na categoria Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia. A obra é resultado do trabalho conjunto entre pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e autores Baniwa da aldeia de Nazaré, em São Gabriel da Cachoeira (AM), e documenta mais de 300 espécies de aves encontradas na região.

A liderança indígena e membro do Escolas2030, Dzoodzo Baniwa, é um dos autores do livro e fala sobre o processo de construção do livro, que foi feito com ampla participação das comunidades comunidades locais:

Transcrição do áudio: O prêmio é um reconhecimento dessa construção colaborativa de conhecimento científico que baseou a metodologia participativa, valorizando os conhecimentos locais e também as metodologias científicas. Então, esse é o processo necessário, hoje, da construção de um conhecimento mais significativo para cada território. No nosso caso, foi uma demanda da própria comunidade que demandou essa pesquisa. E nós, enquanto professores e liderança, atuamos na articulação de parcerias. Então, localizamos o meu parceiro, o INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, que aceitou o nosso convite e, assim, realizamos a pesquisa junto. Então, foi uma construção coletiva e colaborativa, nesse sentido, com a participação ampla das comunidades locais, também participação de pesquisadores cientistas do INPA.

Além disso, Dzoodzo reforçou a importância do Prêmio na valorização do conhecimento vindo dos territórios e dos povos originários:

Transcrição do áudio: Aos colegas educadores e profissionais de educação, é uma experiência bastante importante o momento que a gente está vivendo, porque muitas vezes as comunidades locais, principalmente as comunidades indígenas ou da sociedade vulnerabilizada, têm pouca oportunidade para participação como essa. Só que a gente mostrou que nós, enquanto sociedade vulnerável, precisamos de oportunidade. E quando temos oportunidade, temos sim condição de contribuir com a construção da ciência no Brasil. Então esse foi o momento da gente poder demonstrar essa nossa potencialidade também, baseado a partir de nossos territórios, das nossas escolas, das nossas comunidades. Então que venham outros Jabutis para vários territórios brasileiros. E o Jabuti Acadêmico que a gente ganhou demonstra essa oportunidade e potencialidade que a gente tem enquanto povos originários, enquanto povos tradicionais. Nós temos sim muito a colaborar com ciência brasileira.

Outro destaque da noite foi a categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais, que premiou o Fellow Ashoka Beto Ricardo, fundador do Instituto Socioambiental. Seu livro Uma Enciclopédia nos Trópicos: memórias de um socioambientalista, escrito em parceria com Ricardo Arnt, reúne reflexões, relatos e documentos que narram a trajetória de Beto e destacam seu papel pioneiro no mapeamento e sistematização da presença dos povos indígenas do Brasil, criando bases fundamentais para a garantia de seus direitos.

O livro Ariá: um alimento de memória afetiva, idealizado pelo Jovem Transformador Ashoka Eli Minev, também marcou presença no Prêmio como finalista na categoria Ilustração (assinada por Hadna Abreu) e semifinalista em Divulgação Científica, com autoria de Ana Carla Bruno, Ariel Blind, Atmam Batista, Bosco Gordiano, Eli Minev Benzecry, Laura Leite, Maiana Lago, Marly Lima, Ruby Vargas-Isla, Silvio Barreto, Tyson Ferreira Sateré e Noemia Ishikawa.

O livro resgata a importância cultural do ariá, um tubérculo tradicional amazônico que tem sumido da rotina alimentar da região nas últimas décadas. A obra busca colaborar com o processo de ressignificação desse ingrediente, fortalecendo seu cultivo e consumo, e contribuindo para a geração de renda e a segurança alimentar das populações amazônicas.