Na última terça-feira (05), a Câmara Brasileira do Livro anunciou os vencedores do Prêmio Jabuti Acadêmico. Nesta edição, membros da comunidade Ashoka foram reconhecidos por trabalhos que celebram a diversidade de saberes e fortalecem a preservação da natureza e dos direitos dos povos indígenas.
Uma das obras premiadas é o livro Espécies de Aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro, vencedor na categoria Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia. A obra é resultado do trabalho conjunto entre pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e autores Baniwa da aldeia de Nazaré, em São Gabriel da Cachoeira (AM), e documenta mais de 300 espécies de aves encontradas na região.
A liderança indígena e membro do Escolas2030, Dzoodzo Baniwa, é um dos autores do livro e fala sobre o processo de construção do livro, que foi feito com ampla participação das comunidades comunidades locais:
Além disso, Dzoodzo reforçou a importância do Prêmio na valorização do conhecimento vindo dos territórios e dos povos originários:
Outro destaque da noite foi a categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais, que premiou o Fellow Ashoka Beto Ricardo, fundador do Instituto Socioambiental. Seu livro Uma Enciclopédia nos Trópicos: memórias de um socioambientalista, escrito em parceria com Ricardo Arnt, reúne reflexões, relatos e documentos que narram a trajetória de Beto e destacam seu papel pioneiro no mapeamento e sistematização da presença dos povos indígenas do Brasil, criando bases fundamentais para a garantia de seus direitos.
O livro Ariá: um alimento de memória afetiva, idealizado pelo Jovem Transformador Ashoka Eli Minev, também marcou presença no Prêmio como finalista na categoria Ilustração (assinada por Hadna Abreu) e semifinalista em Divulgação Científica, com autoria de Ana Carla Bruno, Ariel Blind, Atmam Batista, Bosco Gordiano, Eli Minev Benzecry, Laura Leite, Maiana Lago, Marly Lima, Ruby Vargas-Isla, Silvio Barreto, Tyson Ferreira Sateré e Noemia Ishikawa.
O livro resgata a importância cultural do ariá, um tubérculo tradicional amazônico que tem sumido da rotina alimentar da região nas últimas décadas. A obra busca colaborar com o processo de ressignificação desse ingrediente, fortalecendo seu cultivo e consumo, e contribuindo para a geração de renda e a segurança alimentar das populações amazônicas.