#JovensTransformadores: "Girl Up Elza Soares" empodera jovens em torno da pobreza menstrual

Iniciativas co-lideradas por Beatriz Diniz têm mostrado caminhos para se conseguir mudanças estruturais na provisão de itens de higiene para a saúde da mulher, com a formulação de leis que reenquadram os absorventes como itens essenciais.
Beatriz Girl UP

Mobilizada pela experiência de opressão e machismo vivida no Colégio Militar onde estudou, Beatriz integrou o clube Girl Up Elza Soares, no Rio de Janeiro, desde sua formação. O objetivo do clube é conquistar a equidade de gênero. O clube se conectou com a questão da pobreza menstrual no início da pandemia de Covid-19, quando as integrantes se deram conta de que os absorventes não estavam incluídos nos itens da cesta básica porque eram considerados itens cosméticos.

Para enfrentar o problema, começaram com uma campanha de arrecadação de fundos junto a familiares, amigos, vizinhos e professores e conseguiram fornecer absorventes a várias entidades e projetos sociais, que complementaram suas cestas básicas. "Porém, a pandemia não acabou e logo começamos a receber pressão das lideranças comunitárias para mais doações", explica Beatriz. "Nossa ação simplesmente não era sustentável. Então, começamos a nos perguntar: Por que não mudamos a Lei que categoriza o absorvente? Por que não é um item essencial?"

Assim, Beatriz e o clube Girl Up Elza Soares iniciaram uma jornada de participação cidadã, acionando representantes legislativos para apresentar o pleito e argumentar a necessidade de um Projeto de Lei que alterasse a classificação de produtos de higiene de primeira necessidade. 

Em um ano, o clube conquistou a aprovação e sanção da Lei 8924/2020, no Estado do Rio de Janeiro, que dispõe sobre a inclusão do absorvente higiênico feminino nas cestas básicas. O processo aprendido por Beatriz e sua equipe agora está inspirando iniciativas semelhantes em outros sete estados, mobilizadas pelos dos clubes Girl Up.

O clube Girl Up Elza Soares se estrutura com um Conselho de Liderança, formado por cinco pessoas, cada uma assumindo uma diretoria, além de cinco grupos, cada um com quatro membros fixos e mais cinco pessoas selecionadas em processos para ciclos semestrais. Para complementar o trabalho junto a líderes legislativos e comunitários em equidade de gênero, o clube elabora vídeos no TikTok, jogos temáticos, rodas de debates e outras campanhas de comunicação pela equidade de gênero e a saúde. 

Com 19 anos, Beatriz cursa Engenharia Química na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.