Escolas2030 realiza seu primeiro evento global na Tanzânia

Representantes de duas escolas brasileiras estão presentes no Fórum
global forum schools 2030
Fonte: Arquivo Pessoal

Começou hoje em Dar Es Salaam, na Tanzânia, o primeiro Fórum Global do Escolas2030, programa que tem por objetivo criar e disseminar novos parâmetros de avaliação da aprendizagem de crianças e jovens, tendo como referência o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS4). O evento presencial reúne todos os dez países participantes do programa desde sua criação, em 2019. O Escolas 2030 é um programa de pesquisa-ação implementado no Brasil pela Ashoka em parceria com a Faculdade de Educação da USP (FEUSP).  

Durante o Fórum, serão realizadas plenárias e mesas redondas para promover o compartilhamento de práticas inovadoras de escolas e organizações educativas envolvidas no programa, gerando reflexões e aprendizados sobre como promover o ODS4, que prevê atingir até 2030 a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, além de promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos. As plenárias serão transmitidas ao vivo. Para conferir, basta se inscrever neste link

São esperadas cerca de 200 pessoas no evento que se articulam nas mais diversas frentes da educação, como professores, equipes nacionais do Escolas2030, representantes de fundações, organizações da sociedade civil e governos. Entre esses atores, estarão Adriana Rebouças, representando a Escola Pluricultural Odé Kayodê (GO), e Dzoodzo Aawadzoro, da Escola Baniwa Eeno Hiepole (AM). Junto com eles, Thais Mesquita, coordenadora-executiva do Escolas 2030 no Brasil, representa a comunidade brasileira do programa durante o evento na Tanzânia. 

“Ambas as escolas fazem parte do grupo de organizações-polo”, explica Thais. “Isso significa que elas co-lideram o processo de formação das demais organizações educativas de sua região de abrangência e estão diretamente envolvidas com a iniciativa de pesquisa-ação liderada pela FEUSP”. 

Adriana and Dzoodzo

Para Adriana, “é muito significativo compartilhar a experiência da Odé Kayodê, que atende estudantes da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, a partir de uma perspectiva multicultural: especialmente, dos povos originários e invisibilizados do Brasil – os indígenas, africanos e afro-brasileiros que trabalha por meio das matrizes africana e indígenas. Estarmos aqui nos alimentando desta fonte de diversidade”. A escola adota uma concepção de educação que valoriza a ludicidade, afetividade, ancestralidade, diversidade e as artes, para que os estudantes possam gerar transformações sociais a partir de suas comunidades. 

Dzoodzo completa que o evento é uma oportunidade para compartilhar a diversidade cultural e biológica da Amazônia e também aprender com as vivências de outras organizações. Ele atua na Escola Baniwa Eeno Hiepole, localizada na Terra Indígena Alto Rio Negro. Seus processos formativos levam em consideração a necessidade cultural do povo Baniwa, o pertencimento ao território e a valorização e fortalecimento dos saberes locais, conectando-os com os sistemas de conhecimento de outras culturas. 

Adriana e Dzoodzo participarão conjuntamente de um painel sobre práticas inovadoras, junto a representantes de Portugal. Além disso, cada um apresentará lições aprendidas em suas práticas de avaliação em uma das 20 mesas redondas do evento. Adriana vai traçar caminhos para nutrir ambientes plurais de aprendizagem, enquanto Dzoodzo apresentará reflexões sobre sobre mudança climática e educação.