Ashoka reconhece novos Fellows que estão redesenhando sistemas de saúde, informação e cuidado
Alexandre Silva, Maria Fernanda Quartiero e Ronaldo Matos integram a primeira e maior rede global de empreendedorismo social
As maiores transformações sociais do Brasil começam quando comunidades decidem agir, criando modelos duradouros que se tornam referência para uma nova visão de sociedade. É o que fazem os novos empreendedores sociais reconhecidos pela Ashoka, pioneira e maior rede de empreendedorismo social, presente em mais de 90 países. Alexandre Silva mobiliza redes de cuidado coletivo nas favelas do Rio de Janeiro; Maria Fernanda Resende Quartiero trabalha para tornar os dados de saúde mental acionáveis e influenciar a produção acadêmica e as políticas públicas; Ronaldo Matos criou um ecossistema integrado de jornalismo comunitário para combater a desinformação nas periferias.
Os três foram reconhecidos como Fellows da Ashoka, resultado de um processo rigoroso e aprofundado de avaliação. Ao longo de meses, a Ashoka mergulha na história de vida da pessoa candidata, na inovação social desenvolvida por ela e sua capacidade de gerar impacto sistêmico — mudanças duradouras em políticas públicas, práticas de mercado e normas sociais que moldam a vida de comunidades inteiras.
“Cada um deles traz consigo não apenas uma trajetória singular, mas também uma visão transformadora sobre temas urgentes que atravessam nossa sociedade”, afirma Kelly Matias, coordenadora de Busca e Reconhecimento de Empreendedores Ashoka. “Juntos, Alexandre, Maria Fernanda e Ronaldo exemplificam a potência da rede Ashoka: pessoas que, ao transformar realidades locais, inspiram mudanças estruturais para todo o país. Eles nos lembram que a inovação social nasce do encontro entre coragem, comunidade e visão de futuro”.
Cuidados paliativos comunitários nas favelas do Rio de Janeiro
Alexandre Silva é fundador da Favela Compassiva Rocinha e Vidigal, que mobiliza voluntários e profissionais de saúde para oferecer cuidados paliativos em territórios historicamente marginalizados. Inspirado no modelo internacional das comunidades compassivas, ele estrutura uma abordagem de baixo para cima: pessoas voluntárias são capacitadas e, junto a profissionais de saúde, fazem visitas domiciliares a moradores elegíveis aos cuidados paliativos, aplicando planos de cuidado abrangente. A proposta não substitui o SUS, mas trabalha em colaboração para preencher lacunas que o sistema formal ainda não consegue alcançar.
O modelo parte de uma premissa radical: que o cuidado é uma capacidade coletiva, não apenas técnica. Ao distribuir responsabilidade entre vizinhos, agentes comunitários e profissionais de saúde, Alexandre cria uma rede de presença contínua que está reimaginando o que significa envelhecer no Brasil.
Alexandre também foi figura-chave na implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos (Portaria GM/MS nº 3.681/2024) e expandiu seu modelo para 26 comunidades no país, com mais de 140 famílias atendidas. "Ser reconhecido pela Ashoka potencializa o meu propósito ao me conectar a uma comunidade global voltada à transformação sistêmica", afirma.
Saiba mais sobre Alexandre: ashoka.org/pt-br/fellow/alexandre-silva
Filantropia estratégica a serviço da saúde mental no Brasil
Maria Fernanda Resende Quartiero fundou o Instituto Cactus para enfrentar as lacunas da saúde mental no Brasil. A organização atua apoiando projetos e parceiros na geração de dados e evidências, produção de conhecimento, formação de pessoas e na maturação de intervenções comunitárias. O instituto apoia projetos e desenvolve parcerias visando endereçar a escassez de dados, como a co-criação do Panorama da Saúde Mental e o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (iCASM), série histórica que apoia a produção científica, a sociedade civil e as políticas públicas.
Outro pilar importante na atuação da organização é a incidência política. Nessa frente, uma das principais conquistas foi atuar para a sanção da Lei 14.819/2024, que institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares — beneficiando potencialmente mais de 47 milhões de estudantes. Para Maria Fernanda, "ser reconhecida como Fellow Ashoka valida o nosso compromisso com a ciência e a inovação, acelerando a construção de um futuro em que a saúde mental seja um tópico central em todas as esferas".
Ao tornar os dados acessíveis e acionáveis, Maria Fernanda transforma a lógica de como as redes de saúde lidam com a saúde mental: o tratamento reativo dá lugar ao cuidado proativo, criando condições para que gestores, pesquisadores e formuladores de políticas possam agir com mais precisão e legitimidade.
Saiba mais sobre Maria Fernanda: ashoka.org/pt-br/fellow/maria-fernanda-resende-quarteiro
Jornalismo feito por e para as periferias
Ronaldo Matos construiu um ecossistema integrado de jornalismo de interesse público nos territórios de periferias e favelas que atua em três frentes simultâneas: a formação de quem produz, a plataforma que publica e a infraestrutura que distribui — sem depender de algoritmos ou de conexão estável à internet.
O Você Repórter da Periferia forma jovens entre 16 e 25 anos como comunicadores, com conteúdos teóricos e práticos para produzir narrativas sobre as favelas e periferias que vão além da violência e da exclusão social. Os conteúdos produzidos são publicados pelo Desenrola e Não Me Enrola, plataforma com mais de 20 mil visitas mensais que combate os desertos de notícias nas periferias. Por fim, o Território da Notícia os distribui via totens digitais instalados em supermercados, farmácias e outros pontos de grande circulação.
Atualmente, o Território da Notícia mobiliza uma rede de 19 veículos de comunicação independente distribuindo notícias em 15 totens em 10 distritos da Grande São Paulo, alcançando aproximadamente 650 mil pessoas por mês. Com seu trabalho, Ronaldo está reacendendo a confiança da população no jornalismo profissional e ampliando a capacidade de cada cidadão para combater a desinformação com conhecimento e criticidade: “Quero transformar a ação sistêmica em impacto territorial real, fortalecendo soluções comunitárias vindas das periferias, favelas, quilombos e terras indígenas, e reduzindo a dependência das big techs”, diz Ronaldo.
Saiba mais sobre Ronaldo: ashoka.org/pt-br/fellow/ronaldo-matos