A Ashoka, considerada uma das cinco ONGs de maior impacto social no mundo, realizou, nos dias 18 e 19 de maio, em São Paulo, o painel Jovens Transformadores Ashoka (JTA). A organização identificou jovens de 13 a 20 anos que lideram causas, projetos e ações que impactam positivamente a sociedade brasileira.

Presente em 92 países, a Ashoka realizou a primeira edição do JTA no ano passado nos EUA. Neste ano, além do Brasil, a Indonésia também reconheceu jovens transformadores e o próximo país é Ìndia. A metodologia para a seleção é usada há mais de 30 anos para reconhecer empreendedores sociais, escolas e universidades. Agora, foi usada pela primeira vez para identificar os jovens transformadores pelo mundo. Uma vez escolhidos, esses jovens passam a fazer parte de uma rede de pessoas inovadoras e recebem apoio para atuar num ecossistema dominado pelos adultos. (Para conhecer as histórias dos jovens reconhecidos nos EUA e Índia, acesse aqui.)

A Ashoka consegue, assim, identificar quais as transformações promovidas por esses jovens em suas realidades locais por meio de projetos que impactam diretamente na vida das pessoas em qualquer comunidade. Para a líder de Juventude da Ashoka na América Latina, Helena Singer, a iniciativa possibilita contar as histórias revolucionárias de jovens brasileiros.

“Nós coletamos as histórias desses jovens transformadores para mostrar aos outros jovens e também aos adultos como somos todos capazes de criar mudanças sociais. Isso destaca a nova estrutura do século XXI, em que cada pessoa é capaz de promover mudanças positivas, desde que tenha empatia, criatividade, capacidade de trabalho em equipe e novos formatos de lideranças”, afirma Helena.

O objetivo da ONG é articular um movimento por um mundo onde todos se reconheçam como agentes de transformação positiva na sociedade. No Brasil desde 1986, a Ashoka teve como um de seus primeiros empreendedores sociais Chico Mendes, já em 1988. No mundo, sua atuação vem desde 1980, quando foi fundada pelo norte-americano Bill Drayton, na Índia.

Tem entre seus líderes nomes considerados “changemakers” importantes, como Muhammad Yunus (Prêmio Nobel da Paz de 2006) e Kailash Satyarthi, que dividiu com a paquistanesa Malala Yousafzay o prêmio Nobel da Paz de 2014 (os dois foram condecorados por suas lutas contra a opressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação). Ao todo, já foram reconhecidos mais de 3.500 empreendedores sociais, 376 deles somente no Brasil, além de 300 Escolas Transformadoras, sendo 21 no país.

Para o fundador da Ashoka, Bill Drayton, estamos vivendo um momento histórico de mudanças constantes que intensificam uma nova desigualdade. Configurada por uma quantidade expressiva de pessoas que não conseguem acompanhar e se adaptar ao ritmo acelerado de transformações às quais a sociedade está submetida, esta nova desigualdade social já é uma realidade no mundo e necessita ser combatida. “Vivemos hoje em um mundo de constante mudança, então buscamos construir uma comunidade de líderes que se tornem agentes desse processo. Por meio desta colaboração, buscamos transformar instituições e culturas para que elas apoiem a transformação para o bem da sociedade”, enfatiza.

Nos dias 18 e 19 de maio, 10 jovens brasileiros foram avaliados num painel que contou com a presença de empreendedoras/es da rede da Ashoka Brasil, jornalistas e acadêmicos. O processo foi orientado diretamente por líderes da organização na Índia e Estados Unidos.

Ao final, 9 jovens foram aprovados e receberão convite para participar da rede mundial da organização, em que terão a oportunidade de desenhar estratégias para a juventude e compartilhar experiências com os empreendedores sociais das 92 nacionalidades, recebendo o apoio técnico necessário.

“O trabalho da Ashoka visa cocriar uma sociedade na qual todas as crianças desenvolvam sua empatia desde os primeiros anos de vida; todo jovem se reconheça como agente de transformação; as equipes sejam colaborativas e empáticas nos diferentes tipos de instituições. A Ashoka acredita que esses são alicerces para os fundamentos de uma sociedade na qual as pessoas tenham a oportunidade de serem protagonistas de sua história e das mudanças necessárias para um mundo mais justo para todas e para todos”, completa Helena.

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