Introdução
Com o Instituto Cerrados, Yuri constrói pontes entre comunidades tradicionais, pesquisadores, ativistas e formuladores de políticas públicas, promovendo soluções coletivas e sustentáveis para conservar um milhão de hectares do bioma até 2050.
A nova ideia
O Cerrado ocupa aproximadamente 24% do território brasileiro. No entanto, mais de 50% de sua vegetação já foi destruída. O trabalho de Yuri enfrenta uma herança de 70 anos de políticas que transformaram o Cerrado no maior exportador de soja do mundo e, ao mesmo tempo, em um dos biomas mais ameaçados do planeta, o mais desmatado do Brasil em 2023 e 2024. Com predominância de terras privatizadas, largamente ocupadas por cultivos de commodities agropecuárias, o Cerrado se encontra em um momento crítico. Sua preservação é mais urgente do que nunca, pois o bioma é essencial para o reabastecimento de água de oito das doze bacias hidrográficas brasileiras. Yuri está rompendo barreiras no campo da conservação, trabalhando para tornar o Cerrado um pilar fundamental do equilíbrio ecológico nacional, enquanto luta contra interesses políticos e do agronegócio que ameaçam o futuro da região.
O Instituto Cerrados (IC) implementa uma estratégia abrangente para enfrentar os complexos desafios desse bioma. Essa estratégia inclui a proteção da biodiversidade; o apoio às comunidades locais; a comunicação eficaz para influenciar mudanças em normas sociais; a colaboração com proprietários de terras para estabelecer reservas privadas; e a parceria com empresas e governos para reconhecer a importância da proteger o Cerrado. Através desse esforço multifacetado, Yuri co-construiu uma rede de organizações que, por sua força política e incidência consolidou o IC como referência nacional em conservação.
Os programas do IC combinam política ambiental com ações práticas: uma de suas principais iniciativas é um sistema de alerta de incêndios e desmatamento (Suindara) projetado por Yuri. O IC também usa uma comunicação estratégica para colocar a conservação das águas no centro do debate sobre o Cerrado, sensibilizando e engajando governo e agronegócio na proteção do bioma. Além disso, o trabalho do IC no mapeamento de comunidades locais é uma oportunidade para atender às necessidades daqueles que dependem do território.
Ao utilizar ferramentas tecnológicas para apoiar as comunidades locais e para influenciar políticas públicas, o IC enfrenta tanto as ameaças imediatas quanto desafios históricos e estruturais, servindo de referência nos esforços de proteção e compreensão do bioma. Um marco significativo é a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério do Meio Ambiente, para mapear Áreas Prioritárias para Conservação da Água no Cerrado (APCAC).
Por meio desses esforços, o IC vem gerando impactos sistêmicos, tendo como meta proteger 1 milhão de hectares até 2050 de forma estruturante, para que outras gerações tenham um caminho aberto para proteger outros milhões de hectares. A dedicação de Yuri busca colaborar com a conquista de equilíbrio ecológico e com a proteção de direitos territoriais, inspirando o apoio popular à proteção do patrimônio ecológico do Cerrado.
O problema
O Cerrado é reconhecido como a savana de maior biodiversidade do mundo, ocupando 24% do território brasileiro, e alcançando treze estados, uma área que equivale aproximadamente aos territórios da França, Espanha, Suécia e Alemanha combinados. O Cerrado é considerado o segundo maior bioma da América do Sul e o segundo maior bioma do Brasil, e está significativamente ameaçado, por isso é considerado um hotspot de biodiversidade. Essa ecorregião, predominantemente sob propriedade privada, lida com práticas agrícolas insustentáveis, que geram desmatamento e incêndios florestais, superexploração de água e comumente conflitos agrários. O agronegócio é a principal força por trás dessa devastação ambiental, sendo responsável por mais de 97% do desmatamento, e resultando na alarmante perda de mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado.
A área de cultivo no Brasil triplicou entre 1985 e 2020, passando de 19 milhões para 55 milhões de hectares. Todas as projeções de mercado indicam que o país se consolidará como o maior fornecedor de soja e milho para o mundo, e apontam para o Cerrado como parte dessa projeção. Hoje, segundo a plataforma MapBiomas, 44,2% do Cerrado brasileiro é ocupado pela produção agrícola, especialmente commodities agropecuárias para exportação. Estima-se que até 2058, o estado do Mato Grosso triplicará sua produção, enquanto Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás mais que dobrarão. O MapBiomas ainda aponta que 71% do desmatamento ocorrida no Cerrado em 2024 tem indícios de ilegalidade
O desmatamento no Cerrado está concentrado nas mãos de poucos proprietários de terra. Segundo o Cadastro Ambiental Rural, apenas 1% das propriedades rurais foram responsáveis pelo desmatamento registrado. Esse processo compromete a disponibilidade de água, o que pode afetar tanto a geração de energia elétrica quanto a produção de alimentos. Em algumas regiões, a água disponível é utilizada principalmente para a irrigação de grãos para exportação, reduzindo a oferta para a produção local de alimentos.
De acordo com o IBGE e ANA a maior parte da água consumida no país é destinada a atividades relacionadas ao agronegócio. Esse uso intensivo de água tem implicações diretas para os ecossistemas e os recursos hídricos, exacerbando a escassez e afetando a qualidade da água disponível. Além disso, as práticas agrícolas, como a irrigação em larga escala, são responsáveis por um aumento significativo nas emissões de gases de efeito estufa. Esse ciclo de consumo de recursos e emissão de gases intensifica os padrões climáticos instáveis, como a alteração das precipitações e períodos de seca, contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas.
A negligência sistêmica e a má gestão dos governos locais agravam ainda mais a situação do Cerrado. De acordo com dados da Cadastro Nacional de Unidades de Conservação de 2024, Apenas 8,7% do bioma goza de proteção legal através de Unidades de Conservação, e propriedades privadas possuem regulamentação flexível que permitem até 80% de desmatamento em terras privadas.
A permissividade da legislação, somada a práticas históricas de exploração voltadas a ganhos econômicos imediatos, favorece a continuidade da degradação do bioma. De acordo com o MapBiomas, de janeiro a setembro de 2024, os incêndios consumiram 8,4 milhões de hectares do Cerrado, representando um aumento de 117% em relação ao ano anterior. Esses incêndios estão diretamente ligados ao desmatamento, pois as queimadas continuam sendo utilizadas indiscriminadamente no agronegócio, e os solos desmatados são mais vulneráveis à propagação do fogo. Em 2023, o Cerrado ultrapassou a Amazônia como o bioma brasileiro com maior área desmatada.
As políticas fundiárias e um legado de extração predatória de recursos marginalizaram as comunidades tradicionais e pequenos agricultores familiares que defendem o uso sustentável da terra, enquanto parte do setor do agronegócio, politicamente influente, continua a se beneficiar desproporcionalmente de incentivos financeiros, ignorando sistematicamente práticas sustentáveis e as necessidades de comunidades locais. Os povos tradicionais do Cerrado, herdeiros de conhecimentos ancestrais, manejam a região há gerações e vivenciam os impactos diretos do desmatamento. Os conflitos fundiários têm aumentado devido à expansão irregular do agronegócio, que muitas vezes se utiliza de fraudes e violência, incluindo milícias rurais, para ocupar territórios tradicionais, gerando insegurança e medo nas comunidades. É muito importante proteger o que resta do bioma, tentando chegar ao desmatamento líquido zero e transformar o uso da terra no Cerrado em uma prática sustentável, tanto do ponto de vista econômico quanto ecológico.
A degradação do Cerrado tem impactos críticos na rede hidrológica do Brasil. O Cerrado é considerado o coração das águas brasileiras, pois abriga três dos principais aquíferos da América do Sul - Guarani, Bambuí e Urucuia -, as principais nascentes que abastecem grandes rios do Brasil e oito das doze regiões hidrográficas do país. No entanto, a implacável expansão do agronegócio associada às mudanças climáticas reduziu drasticamente o fluxo de água em 95% das bacias analisadas em estudo que se tornou referência, escrito por Yuri. Pesquisa produzida por Yuri Salmona ilustra a gravidade dessa questão, prevendo declínios significativos nos volumes de água até 2050. Essa crise interligada de escassez de água e produção agrícola ameaça o Cerrado e impacta biomas interconectados, como o Pantanal, cuja propensão a incêndios aumentou significativamente pela diminuição do fluxo hídrico.
Os impactos da degradação ambiental evidenciam a interdependência entre o equilíbrio ecológico do Cerrado e o futuro econômico do Brasil. O uso excessivo de água pelo agronegócio ameaça sua própria sustentabilidade ao degradar os ecossistemas dos quais depende. A vegetação do Cerrado é essencial para a recarga dos aquíferos durante o período de chuvas, garantindo água subterrânea suficiente na estação seca para manter a irrigação. Por isso, conservar o Cerrado é fundamental não apenas para proteger a biodiversidade, mas também para assegurar a estabilidade econômica e o bem-estar das comunidades locais. Os estudos de Yuri reforçam a urgência de políticas com visão de futuro, que integrem tecnologia, ciência, economia e participação comunitária para preservar os recursos naturais e os serviços ecossistêmicos do bioma.
A estratégia
Não há uma solução única para os desafios do Cerrado. Proteger o bioma exige uma compreensão sistêmica dos problemas e de como eles se interconectam. Fundado em 2011, o Instituto Cerrados nasceu justamente com esse foco: abordar as interdependências que afetam o bioma. A atuação começou com o Programa Jurema, uma iniciativa voltada à criação de unidades de conservação em propriedades privadas — as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) — uma vez aprovadas, essas reservas são permanentes. Como a maior parte do Cerrado está em áreas privadas, o programa tornou-se uma estratégia-chave. Desde então, já foram criadas mais de 30 RPPNs, outras dezenas estão em andamento, e 11 planos de manejo foram desenvolvidos. Para atingir a meta de 1 milhão de hectares protegidos até 2050, Yuri aposta em uma abordagem sistêmica. Ele vem construindo sua legitimidade no setor ao longo dos anos com base em dados robustos sobre o Cerrado e no desenvolvimento de programas estratégicos, tornando-se um dos principais defensores da proteção do bioma.
Combinando ciência e tecnologias de ponta com o reconhecimento de comunidades tradicionais e o apelo à ação de governos e empresas, o IC está transformando a opinião pública sobre o Cerrado e efetivando estratégias de proteção. Percebendo que apenas criar reservas não era suficiente, Yuri projetou o Suindara1, sistema do IC dedicado à prevenção, monitoramento e mitigação de incêndios e desmatamento no Cerrado. Esse sistema foi patenteado por Yuri, mostrando a distância do foco de incêndio, as coordenadas, e exibindo um mapa topográfico para que as brigadas possam planejar suas ações mais rapidamente. O Sistema Suindara é uma plataforma online inovadora que diminui significativamente o tempo de resposta a incêndios ao disponibilizar informações relevantes. A ferramenta está disponível para gestores de Unidades de Conservação, bombeiros, brigadistas, gestores municipais de meio ambiente, agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais para o monitoramento de seus territórios. Esse acesso exclusivo garante a segurança do usuário no manejo de incêndios criminosos, apoia a preparação para o combate ao fogo e assegura a disponibilidade de informações confiáveis.
Atualmente, o Suindara conta com mais de 200 usuários cadastrados em mais de 100 territórios, 20 brigadas registradas, e 8 milhões de hectares monitorados. Yuri está empenhado em integrar esse sistema de alerta ao sistema de de monitoramento estatais, de modo que as operações sejam melhor subsidiadas. Atualmente Yuri busca uma parceria com o WhatsApp, uma vez que o aplicativo é amplamente utilizado no Brasil, mas seu custo de uso atual é inviável para o instituto. O IC também prestes a lançar a versão de aplicativo de celular trazendo mais funcionalidades. No contexto do IC, dentro do programa Suindara, além do APP Suindara, o IC compõe a iniciativa Tamo de Olho que identifica casos de desmatamento ilegal e violações dos direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais no Cerrado, especialmente na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)2. A iniciativa é formada pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), WWF-Brasil, Rede Cerrado e Instituto Cerrados, em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Observatório do Matopiba e Trase, a iniciativa busca influenciar órgãos públicos para assegurar garantir direitos territoriais de PCTs (Povos e Comunidades Tradicionais) e consequências legais dos desmatamentos. O Instituto Cerrados desenvolveu a ferramenta digital Tamo de Olho, utilizando dados do MapBiomas Alerta e outras fontes. A ferramenta gera relatórios com indicadores de desmatamento, que são compartilhados com o Ministério Público, a Defensoria Pública, órgãos ambientais e de segurança pública. A própria plataforma auxilia esses entes a priorizarem casos para a tomada de ações legais, com base em critérios socioambientais, contribuindo, assim, com uma atuação mais eficiente no combate e controle da degradação ambiental.
O Suindara também é utilizado em conjunto com o Programa Povos do Cerrado, onde a capacitação em combate a incêndios florestais e incêndios criminosos e a doação de equipamentos de proteção individual ocorre para comunidades do Cerrado. O Programa Povos do Cerrado é a frente de atuação do IC que fortalece a territorialidade de comunidades tradicionais, povos originários e agricultores familiares por meio da identificação e do mapeamento de seus territórios no Cerrado. Esse trabalho ocorre em conjunto com o IPAM, Rede Cerrado, ISPN na iniciativa Tô no Mapa, na qual Yuri faz parte da coordenação e Conselho. O mapeamento do território contribui para a visibilidade das comunidades e fortalece seus direitos, sua autoidentificação e seus conhecimentos. Além disso, o programa disponibiliza materiais informativos que apoiam as comunidades na regularização fundiária.
O IC passou a integrar o Tô no Mapa em outubro de 2020, aprimorando a metodologia de cadastramento de territórios do aplicativo. Durante o auge da pandemia da COVID-19, o Programa Povos do Cerrado capacitou lideranças locais para a realização do auto mapeamento e cadastramento de suas comunidades, estratégia que se mostrou fundamental para o sucesso da iniciativa. Como resultado, 246 comunidades já estão cadastradas, com 50 treinamentos de mapeamento realizados para 92 participantes. As áreas mapeadas abrangem 27.499 famílias que ocupam 1.999 km² mas que, estima-se, protegem 8.300 km² do bioma. Além disso, foram identificadas 322 zonas de conflito, incluindo casos de apropriação de terras e desmatamento. O IC também mapeou comunidades tradicionais em plataformas oficiais, como a Plataforma de Territórios Tradicionais do Ministério Público Federal, incluindo essas comunidades em seu próprio mapeamento, dando visibilidade a existência dessas comunidades em áreas outrora consideradas “vazias”. Por meio de oficinas com essas comunidades, o IC aborda questões urgentes para as comunidades tradicionais do Cerrado, como o manejo do fogo nos períodos de seca ou os direitos pelas terras onde habitam. Esse processo levou a criação do “Guia para Formalização de Territórios Tradicionais do Cerrado”.
O cadastro mantido pelo Tô no Mapa supera o da plataforma do Ministério Público, o que levou a um esforço de integração dos sistemas no âmbito das políticas públicas. Essa integração busca desenvolver um mecanismo que não apenas mapeie os territórios, mas também apoie entes como o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) o início do processo de demarcação, influenciando a política governamental. As contribuições do IC resultaram em mais dois acordos de parceria: um com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) para produzir materiais e ministrar oficinas, e outro com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) para apoiar o auto mapeamento de 50 comunidades no Maranhão, Tocantins, Bahia e Piauí. Durante 4 anos de pesquisa, o Instituto Cerrados realizou uma pesquisa inédita, buscando identificar comunidades tradicionais via dados secundários. O resultado será lançado em 2025, apresentando a primeira versão das respostas de uma pergunta fundamental: Quantas comunidades tradicionais existem no Cerrado? O resultado deste trabalho está resumido numa plataforma interativa
Esses programas têm como eixo de divulgação o 'Elos do Cerrado', o braço de comunicação do Instituto. A iniciativa é responsável por campanhas, divulgação cientifica, formação de opinião pública que buscam atingir um público amplo, e tomadores de decisão, divulgando as ações do IC e materiais científicos, didáticos e de parceiros de forma acessível e mobilizadora. O objetivo é fazer com que as pessoas se conectem emocionalmente com o Cerrado, reconheçam sua importância ecológica baseados em dados científicos e se engajem ativamente na sua proteção, ajudando a conter a expansão predatória do agronegócio.
Para Yuri, a campanha “Cerrado: O Coração das Águas”, mobilizada pelo IC, tem sido um ponto de virada, já que a água é de interesse comum das grandes empresas, das comunidades locais e do governo. A campanha dialoga diretamente com o Programa Cacimba, a mais recente iniciativa do Instituto para revitalizar as bacias hidrográficas, O objetivo é melhorar a disponibilidade das fontes de água, aumentando, assim, a capacidade de abastecimento para o consumo humano. Esse esforço também aumenta a conscientização pública sobre como o desmatamento no Cerrado acarreta problemas sistêmicos de abastecimento de água em outros biomas. Justificar a conservação do Cerrado com base na disponibilidade de água faz com que grupos discordantes se interessem e entendam a relevância das outras iniciativas do Instituto. A campanha tem como um dos elementos políticos em um acordo com o Ministério do Meio Ambiente para determinar as Áreas Prioritárias para Conservação da Água no Cerrado (APCAC) e sua posterior implementação.
As iniciativas integradas do IC impulsionam mudanças estruturais nas políticas e práticas governamentais omissas frente à devastação do Cerrado. Por meio da implementação de políticas públicas que protegem tanto a biodiversidade quanto suas comunidades tradicionais, o IC se posiciona como uma voz confiável entre os formuladores de políticas. O objetivo final é garantir políticas e programas que resultem na proteção de 1 milhão de hectares até 2050.. Entre as ações de incidência em políticas públicas, o IC assinou o acordo com o Ministério do Meio Ambiente para Áreas Prioritárias para Conservação da Água no Cerrado (APCAC): este projeto visa mapear as áreas que mais necessitam de proteção ou restauração. Objetivo é apresentar o resultado desse trabalho durante a COP30, em novembro de 2025, em Belém. O IC contribuiu significativamente para o Plano de Prevenção de Desmatamento e Incêndio no Cerrado.
Ao combinar a conservação, a construção de políticas públicas e o empoderamento das comunidades, o IC promove a conservação do bioma e do seu patrimônio cultural.
Nos próximos cinco anos, Yuri pretende dobrar a capacidade operacional do IC e escrever um livro que narre a saga do Cerrado, percorrendo o Cerrado, conhecendo diversas realidades regionais. Seu objetivo é se dedicar integralmente à articulação e representação do instituto para ganhar influência e capacidade de engajamento, dedicando menos tempo às operações do dia a dia. Yuri também está ampliando o leque de comunidades com as quais o IC colabora, para entender as realidades do Cerrado, ampliando a defesa do bioma e seus povos.
A pessoa
Yuri Salmona nasceu em Brasília, filho de uma mãe brasileira de Jequitinhonha, Minas Gerais, e de um pai egípcio, refugiado judeu. A educação de Yuri foi definida por uma rica mistura de influências culturais e uma profunda ligação com a natureza. Suas frequentes visitas ao campo o introduziram ao Cerrado, onde os ensinamentos de seu avô (Raizeiro) sobre as plantas fomentaram uma afinidade duradoura com a terra. Yuri compreendeu mais tarde que o seu avô lhe tinha ensinado que uma terra é mais do que os seus bens, é uma relação que precisa de ser cultivada e cuidada.
Determinado a entender profundamente sua região de origem, Yuri se formou em geografia na Universidade de Brasília. Apesar das dificuldades financeiras e de viver em condições difíceis, tornou-se um mobilizador entre os seus colegas, defendendo melhores condições de vida para os estudantes e formando as bases de sua dedicação à mudança sistêmica. Sua defesa se estendeu para além da vida no campus, pois suas experiências profissionais revelaram uma grande negligência com o Cerrado.
Em resposta, Yuri fundou o Instituto Cerrados em 2011, organização pioneira em projetos de conservação e inovações sociais. Seu trabalho é reconhecido não só pela conservação do bioma, mas também por fortalecer comunidades tradicionais diante dos desafios do fogo e do desmatamento.
Recentemente, a influência de Yuri alcançou novos patamares com um acordo de cooperação com o Ministério do Meio Ambiente, que ressalta o papel do instituto no desenvolvimento de Áreas Prioritárias para a Conservação das Águas do Cerrado. Seu papel em iniciativas legislativas, parcerias e seu profundo conhecimento do ecossistema estão consolidando o legado de Yuri e do instituto como uma força transformadora na conservação e gestão sustentável do Cerrado. A legitimidade de Yuri como pesquisador e um empreendedor social ágil tem sido fundamental para alcançar a transformação que o Instituto Cerrados quer alcançar. Como o empreendedor social que é, Yuri sabe que seu trabalho é apenas o começo para garantir que o Cerrado se mantenha de pé.