A photo of Maria Vitória: a woman with long, dark blonde, and wavy hair. She is standing outdoors. Her eyes are blue and she is smiling. Maria Vitória is wearing a black shirt with the partially visible text 'DON'T' in white letters. The background includes a building with vertical lines and windows.
Fellow Ashoka desde 2025   |   Brazil

Maria Vitória Ramos

Fiquem Sabendo
Maria Vitória usa a Lei de Acesso à Informação em favor do interesse público e da democracia, incentivando a participação cidadã e a responsabilização governamental.
Leia mais
Esta descrição do trabalho de Maria Vitória Ramos foi preparada quando Maria Vitória Ramos foi eleito para a Ashoka Fellowship em 2025.

Introdução

Maria Vitória usa a Lei de Acesso à Informação em favor do interesse público e da democracia, incentivando a participação cidadã e a responsabilização governamental.

A nova ideia

Maria Vitória está na vanguarda de um movimento para fortalecer a Lei de Acesso à Informação (LAI) como uma ferramenta necessária para garantir a democracia no Brasil. Promulgada em 2012, a LAI garante aos cidadãos o direito de acesso à informação pública, base para qualquer democracia bem-sucedida. No entanto, a lei permaneceu pouco usada. Em 2018, Maria Vitória cofundou a Fiquem Sabendo para democratizar o acesso à informações públicas e, desde então, a organização tem demonstrado, na prática, o potencial transformador da LAI.

Com Maria Vitória na liderança, ao lado de Léo Arcoverde, Bruno Morassutti e Taís Seibt a Fiquem Sabendo assumiu a missão de tornar a Lei de Acesso à Informação uma ferramenta prática para o controle social. Sabendo que muitas informações governamentais são difíceis de acessar, entender e analisar, a organização passou a traduzi-las em dados simples, claros e úteis para que qualquer pessoa ou organização possa usá-las. Essa abordagem proativa desafia o status quo ao buscar reduzir as assimetrias entre quem detém informações nos órgãos públicos e a sociedade. Mais do que solicitar dados, a Fiquem Sabendo capacita cidadãos e organizações para usarem a LAI de forma estratégica, promovendo o uso responsável dos recursos públicos e influenciando políticas em benefício do bem comum. A forma como a organização coleta e utiliza os dados tem resultado na publicação de matérias relevantes para a formulação de políticas públicas — e, quando necessário, na abertura de ações judiciais contra o poder público. Ao capacitar cidadãos para compreender e utilizar a informação pública, a Fiquem Sabendo desafia o legado do colonialismo, desmantelando as estruturas de omissão que criam o desequilíbrio de poder entre os cidadãos e os governos. Isso promove uma sociedade mais participativa e equitativa, em que cidadãos podem responsabilizar seus líderes, promover a transparência e transformar sistemas que perpetuam desigualdade e corrupção. Através de uma combinação de quatro vertentes - advocacy, tecnologia cívica, jornalismo e educação - a organização mobiliza jornalistas e a sociedade civil para exigir transparência e responsabilidade do poder público. Ao documentar e partilhar conhecimentos sobre a LAI, a Fiquem Sabendo promove a transparência ativa, fortalece a democracia e assegura uma maior capacidade de resposta e efetividade dos governos.

A liderança de Maria Vitória e a abordagem inovadora da Fiquem Sabendo provam que o acesso à informação não é apenas um direito, mas uma ferramenta essencial para fortalecer o controle social, promover equidade e incentivar uma cidadania mais informada, engajada e capaz de cobrar políticas públicas eficientes e justas.

O problema

Os desafios de gestão do Brasil têm raízes profundas em seu passado colonial e na formação da República, quando o poder foi concentrado nas mãos de poucos. Desde então, a centralização da autoridade permanece como obstáculo histórico. Como resultado, o governo enfrenta dificuldades para se autorresponsabilizar, o que contribui para a desconfiança e o desinteresse da população em relação ao processo político.



Esse problema se manifesta em dois níveis: macro e micro. Em nível macro, a falta de transparência fomenta a desconfiança generalizada nas instituições, uma vez que os dados opacos e a falta de responsabilização deixam os cidadãos inseguros quanto às ações do governo. Esse ambiente de incerteza também enfraquece a governança, possibilitando abusos de poder, conflitos de interesses e má gestão dos recursos públicos. No nível micro, a falta de transparência dificulta que a população acompanhe e fiscalize de forma eficaz as ações do governo. Embora a Lei de Acesso à Informação (LAI) tenha sido aprovada em 2012, muitas instituições públicas ainda não a implementam corretamente, limitando a capacidade dos cidadãos de monitorar e cobrar seus representantes. Soma-se a isso o desconhecimento generalizado da lei por grande parte da população, agravado pela ausência de educação voltada ao seu uso prático. Essa lacuna impede que os cidadãos exerçam plenamente seu direito à informação, comprometendo a transparência e a responsabilização dos gestores públicos.

De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção da Transparency.org - indicador global que mede o nível percebido de corrupção no setor público de um país, segundo especialistas e executivos do setor privado - o Brasil tem uma pontuação de 36/100 (onde 100 é muito honesto e 0 é altamente corrupto) e ocupa a posição 104 entre 180 países. Além disso, o governo brasileiro ainda enfrenta desafios significativos para cumprir integralmente a obrigação constitucional de dar publicidade a suas ações. Em 2020, uma análise da Secretaria Nacional de Justiça constatou que 36% das instituições públicas não responderam aos pedidos de informação dentro do prazo exigido pela LAI, prejudicando sua eficácia. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), somente em 2020, mais de R$ 10 bilhões em recursos públicos foram mal administrados ou alocados indevidamente, resultado de má gestão, desvios e desperdício de recursos causados, em grande parte, pela falta de rastreamento ineficaz. Já, em 2022, o Ministério Público brasileiro revelou que 7% dos servidores federais mantinham vínculos com empresas contratadas pelo governo federal, levantando preocupações sobre nepotismo, conflitos de interesse, abuso de poder e influência indevida nos contratos públicos. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) também destacou o baixo engajamento cívico, revelando um déficit significativo de canais acessíveis e transparentes para a participação dos cidadãos na governança e na formulação de políticas. As suas conclusões mostraram que apenas 18% dos brasileiros participam ativamente em consultas públicas ou discussões relacionadas a políticas públicas.

A falta de transparência e o desconhecimento generalizado de ferramentas como a Lei de Acesso à Informação (LAI) enfraquecem a democracia. A tomada de decisões sem a participação pública corrói os princípios democráticos e alimenta um sentimento crescente de desconexão do processo político. Com o tempo, essa falta de conhecimento gera desinteresse, pois os cidadãos se sentem impotentes para influenciar as ações do governo e até mesmo exigir seus direitos. Essa apatia crescente promove a fragmentação social e enfraquece a coesão social.

A estratégia

Ao conhecer a Lei de Acesso à Informação (LAI) durante um seminário, Maria Vitória rapidamente identificou seu potencial para transformar a sociedade brasileira, redefinindo a relação entre governo e cidadãos. E foi em uma entrevista com Léo Arcoverde, pioneiro no uso da LAI no jornalismo brasileiro, que encontrou um caminho - e um grande parceiro - para realizar essa visão. Em 2018, no terceiro ano da faculdade, cofundou a Fiquem Sabendo — uma iniciativa voltada a ampliar a transparência pública, fortalecer o controle social, garantir a responsabilização do governo e superar a falta de infraestrutura que dificulta o engajamento da população.

Esta iniciativa se apoia em uma estratégia voltada a alcançar três níveis da sociedade. Primeiro, buscaram transformar a LAI em uma ferramenta popular entre jornalistas. Apostaram na lógica do “efeito dominó”: ao incentivar o uso e a divulgação da LAI por profissionais da imprensa, ampliariam seu alcance de forma exponencial. A organização entende que o uso consistente da LAI por esse grupo fortalece o jornalismo investigativo baseado em dados e voltado para soluções, com potencial de informar amplamente a sociedade.

Após consolidar essa frente, a equipe — hoje com 14 pessoas — passou a capacitar organizações da sociedade civil a usar a LAI como instrumento de apoio em suas lutas por direitos sociais. Por fim, o objetivo é permitir que qualquer pessoa possa acessar a LAI e utilizá-la para exigir seus próprios direitos.

Através da metodologia de quatro vertentes (jornalismo, advocacy, educação e tecnologia cívica), a Fiquem Sabendo tem conseguido atingir com sucesso os dois primeiros níveis. O próximo passo da organização é atingir o terceiro nível, dando um salto exponencial no engajamento público. O impacto da Fiquem Sabendo resulta de uma poderosa sinergia entre suas vertentes que trabalham em conjunto, cada uma informando e reforçando a outra para atingir um objetivo comum: promover a transparência e a cidadania. Uma combinação poderosa de verdade e ação.

A organização usa o jornalismo para responsabilizar quem está no poder e pressionar por reformas significativas. Através da LAI, a Fiquem Sabendo traz à tona informações de interesse público, anteriormente de difícil acesso para a população, e as distribui gratuitamente para cerca de 20 mil pessoas em todo o país através da premiada newsletter “Don’t LAI to me”. Também realiza as suas próprias investigações sobre temas de interesse público e articula colaborações entre veículos de comunicação. Os cofundadores da organização escrevem ainda uma coluna de política na Folha de S.Paulo, intitulada “Transparência Pública”.

Em suma, a Fiquem Sabendo identifica uma questão urgente e solicita informações aos organismos de fiscalização competentes através da LAI. Uma vez obtidas, a equipe analisa os dados e colabora com os órgãos públicos para apontar possíveis erros e inconsistências e corrigir as informações na fonte, garantindo a sua exatidão e confiabilidade. Os achados são depois publicados e utilizados para impulsionar o debate público, promovendo discussões informadas para a sociedade. A análise rigorosa dos dados e o jornalismo investigativo expõem políticas públicas ineficientes, corrupção, desperdício e ineficácia nas operações governamentais. Essas investigações funcionam como catalisadores de ação, desencadeando investigações e auditorias por parte das entidades responsáveis pela aplicação da lei e mobilizando a pressão pública para a responsabilização.

A vertente de Jornalismo da Fiquem Sabendo tem causado um impacto expressivo no campo da transparência pública, sendo fundamental para expandir o uso da LAI entre jornalistas em todo o Brasil. Já foram produzidas cerca de 10 mil reportagens com dados inéditos fornecidos pela organização, publicadas por veículos nacionais e internacionais. Além disso, a Fiquem Sabendo acumula aproximadamente 3 mil publicações próprias.

Duas investigações da Fiquem Sabendo se destacaram nacionalmente: (1) a divulgação de dados sobre pagamentos de pensões a militares e seus familiares e (2) a transformação das informações do cartão corporativo do presidente da República em um conjunto de dados abertos.

(1) Durante quatro anos, a Fiquem Sabendo batalhou no Tribunal de Contas da União (TCU) pela transparência nos pagamentos de pensões e aposentadorias da União, o que levou à abertura dos dados de todos os servidores civis em 2020 e, em 2021, de todos os benefícios pagos a familiares de militares. Foram revelados, pela primeira vez na história, os pagamentos feitos nos últimos 27 anos, somando R$ 480 bilhões em valores líquidos que nunca haviam sido divulgados. A análise mostrou que os 500 mil pensionistas do governo federal consomem o mesmo volume de recursos que os 28 milhões de brasileiros atendidos pelo Bolsa Família, além de expor distorções como pagamentos duplicados e triplicados a militares e seus dependentes. A atuação da organização mobilizou o debate nacional, com mais de 4.000 reportagens produzidas com base nos dados. O trabalho resultou em impactos concretos: em análise preliminar, a Controladoria-Geral da União estimou uma economia anual de mais de R$ 6 milhões com o cancelamento de benefícios indevidos; as Forças Armadas foram integradas ao sistema nacional de supervisão financeira pela primeira vez desde a ditadura; e o Senado Federal apresentou proposta para extinguir a pensão vitalícia paga a filhas de militares.

(2) No início de 2023, também pela primeira vez na história, a sociedade teve acesso à íntegra dos gastos com cartão corporativo de todos os ex-presidentes desde 2003, quando o instrumento foi criado. Os documentos foram obtidos, organizados e disponibilizados pela Fiquem Sabendo para toda a imprensa, resultando na publicação de 3.000 reportagens em apenas 6 meses. As informações levaram à abertura de apuração no Ministério Público de Contas e na Advocacia-Geral da União, além de uma consulta pública para decreto que regulamenta o uso do cartão no governo federal.

Essas revelações alimentaram a pressão contínua da Fiquem Sabendo por maior fiscalização e prestação de contas por parte do governo, ressaltando a necessidade urgente de uma gestão pública mais transparente, responsável e ética no Brasil. Esses casos exemplificam a sinergia entre o jornalismo investigativo e advocacy, demonstrando como a Fiquem Sabendo usa efetivamente sua experiência para promover mudanças e aprimorar a gestão pública.

As iniciativas de advocacy desempenham um papel importante na expansão do acesso à informação pública. Ao defender reformas legais e pressionar órgãos de controle, a Fiquem Sabendo contribui para ampliar a estrutura de transparência pública no país. Isso é fundamental para navegar no complexo cenário jurídico e obriga as agências governamentais a divulgar informações que estão sendo ilegalmente retidas. Além de fornecer apoio jurídico crucial a indivíduos e organizações que buscam acesso a informações públicas, a Fiquem Sabendo também defende reformas amplas para garantir uma aplicação mais efetiva da LAI. O trabalho da Fiquem Sabendo já estimulou a construção de 23 projetos de lei, três dos quais já foram aprovados na Câmara dos Deputados e dois que a Presidência da República sancionou sem vetos. A organização também já encaminhou mais de 150 denúncias aos órgãos de controle e moveu mais de dez ações judiciais contra abusos de poder.



Em 2021, a Fiquem Sabendo contribuiu com conhecimentos técnicos e jurídicos no processo de modernização da Lei de Acesso à Informação de Goiás junto a Controladoria-Geral do Estado (CGE-GO). A organização também apoiou a implementação da lei, ajudando a capacitar cidadãos e servidores públicos sobre como utilizá-la de forma efetiva. Hoje, Goiás é o estado mais transparente do Brasil, segundo a avaliação do Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP) de 2024, sendo um exemplo para outros estados e municípios.

A vertente Tecnologia Cívica visa escalar o impacto da organização e fornecer ferramentas para participação social em larga escala. Um exemplo é a “Agenda Transparente”, plataforma pioneira que permite rastrear o lobby - que não é regulamentado no Brasil e acontece totalmente no escuro. A ferramenta foi desenvolvida a partir do Desfio de Inovação do Google para a América Latina. Atualizada a cada oito horas com dados das agendas oficiais, a plataforma permite que os usuários pesquisem palavras-chave, apliquem filtros e recebam alertas para acompanhar as agendas políticas e identificar possíveis conflitos de interesse. Monitorando mais de10.000 autoridades do Executivo Federal, essa ferramenta permite que qualquer cidadão acompanhe, em tempo real, as interações entre governo e vários setores da sociedade. A ferramenta permite que a sociedade entenda o que acontece nos corredores do poder e ainda expõe falhas na transparência dessas negociações. Foi a partir do Agenda Transparente, por exemplo, que a Fiquem Sabendo deu o pontapé na cobertura do lobby das bets pela imprensa. Já para projeto Lobby na Comida, a organização usou a ferramenta para expor a intensa atuação da indústria alimentícia pela isenção de impostos para ultraprocessados durante a Reforma Tributária. Em parceria com a Repórter Brasil, revelaram o lobby por um agrotóxico extremamente letal para abelhas e - após a publicação das reportagens - levou o Ibama a banir o pesticida no país. O investimento em tecnologia é um dos grandes diferenciais da organização, que ganhou, em 2025, um edital da Universidade de Columbia para desenvolver inteligência artificial aplicada para redação de recursos para negativas de acesso à informação.

A Fiquem Sabendo entende a educação como um dos pilares fundamentais para fortalecer a democracia e ampliar o uso estratégico da Lei de Acesso à Informação. Por meio de formações, oficinas e materiais acessíveis, capacita cidadãos, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias a exercerem seu direito à informação e fiscalizarem o poder público. Uma das principais ferramentas pedagógicas é a WikiLAI — plataforma desenvolvida com apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos — que reúne boas práticas, orientações jurídicas e exemplos de pedidos bem-sucedidos, sendo utilizada inclusive por órgãos públicos no treinamento de seus servidores. A organização também conduz programas de formação voltados a públicos específicos, como mulheres comunicadoras, por meio do projeto Vozes de Impacto, com apoio da Embaixada do Reino Unido, e lideranças indígenas e ativistas ambientais da Amazônia Legal, no projeto Fiscais do Clima, desenvolvido em parceria com o World Resources Institute e o GPSA, iniciativa do Banco Mundial. Já são mais de 5.000 pessoas formadas, mais de 100.000 usuários da WikiLAI e mais de 2.000 bases de dados abertas e reutilizáveis disponibilizadas ao público. Parcerias com universidades e prefeituras ampliam o alcance dessas ações, promovendo o uso da LAI em diferentes territórios e contextos sociais.

Os participantes dos cursos formam ainda a “Liga da Transparência”, um grupo de pessoas capacitadas a fiscalizar governos municipais ou estaduais por meio de pedidos de LAI. A Liga é uma comunidade de voluntários fomentada e gerida pelo Fiquem Sabendo, a quem recorrem quando precisam de braços para realizar investigações. Por exemplo, quando montaram uma força-tarefa para saber mais sobre o tempo, o orçamento e os recursos humanos destinados ao desenvolvimento e à operação do e-SIC (Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão)1.

A Fiquem Sabendo enxerga um futuro em que o empoderamento cidadão seja a base da democracia brasileira. Para tornar essa visão realidade, a organização pretende ampliar seu impacto por meio de parcerias de longo prazo com uma rede diversa de organizações da sociedade civil, grupos comunitários e órgãos públicos. Uma estratégia essencial para garantir que esse impacto chegue a todas as regiões do país — inclusive às populações historicamente marginalizadas — é a capacitação contínua de lideranças sociais, comunitárias e indígenas no uso da Lei de Acesso à Informação (LAI). Essas lideranças atuam como multiplicadoras, compartilhando seus conhecimentos em seus territórios e comunidades, o que gera um efeito cascata: amplia o uso da LAI, fortalece a consciência coletiva e estimula a participação ativa na defesa e conquista de direitos.

A Fiquem Sabendo vem transformando a transparência pública no Brasil ao revelar casos de corrupção, ineficiência e mau uso de recursos, promovendo o controle social e fortalecendo a democracia. Por meio de investigações, tecnologia cívica e formação de cidadãos, a organização pressiona o Estado a funcionar com mais responsabilidade e justiça social. Este trabalho já foi reconhecido por prêmios relevantes, como duas edições do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (categoria Dados Abertos), quatro troféus Mosca do Prêmio Livre.jor e quatro indicações ao SIGMA Awards, principal premiação internacional de jornalismo de dados. Também recebeu reconhecimento institucional, como o Prêmio de Fiscalização Pública da Câmara dos Deputados.

A Fiquem Sabendo é reconhecida também por representar a sociedade civil em fóruns nacionais e internacionais dedicados à transparência e ao governo aberto. Possuem uma cadeira no Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção (CTICC), ligado à Controladoria-Geral da União; Participa do compromisso do Brasil na Parceria para Governo Aberto da Open Government Partnership; e integra o programa do Supremo Tribunal Federal (STF) de combate à desinformação. No âmbito estadual, compõe o Conselho de Transparência do Estado de São Paulo e, no Congresso Nacional, atua junto à Frente Parlamentar Mista pela Transparência. Além disso, é membro ativo do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, do Global Forum for Media Development (GFMD) e da Global Investigative Journalism Network (GIJN).

Para garantir sua sustentabilidade, a organização trabalha na diversificação de recursos, planejamento financeiro estratégico e fortalecimento institucional. Pretende também ampliar a transparência nos poderes Judiciário e Legislativo, promover o governo aberto, ampliar o uso do litígio estratégico e colaborar com outras organizações. Maria Vitória planeja expandir a equipe, preparar novas lideranças e focar em ações estratégicas de longo prazo, reafirmando o compromisso da Fiquem Sabendo com uma governança mais aberta e responsável no Brasil.

A pessoa

Maria Vitória Launberg Ramos, nascida e criada em São Paulo, demonstrou desde cedo um interesse em questões sociais e um compromisso com sua comunidade. Como estudante, se destacou como representante de classe, defendendo os direitos e as ideias de seus colegas na administração da escola. A sua determinação era evidente em todas as suas atividades: destacava-se nos estudos, nos esportes e se dedicava ao trabalho voluntário. Durante a adolescência, também teve a oportunidade de participar de programas de intercâmbio acadêmicos nos Estados Unidos, que alargaram os seus horizontes e alimentaram ainda mais a sua paixão pela justiça social.

Na graduação em jornalismo, logo percebeu que a formação acadêmica não refletia sua inquietação e vontade de colocar a mão na massa. Em 2015, passou a integrar os Jornalistas Livres, coletivo independente que cobria protestos e movimentos sociais. Participou da cobertura das ocupações de centenas escolas públicas por estudantes contrários à reforma do Ensino Médio. Essa vivência reforçou sua escolha pelo jornalismo como instrumento de transformação social. Em seguida, entrou para a Ponte Jornalismo, veículo focado em denunciar violações de direitos humanos, especialmente nas periferias, por forças policiais e instituições do Estado. No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), escreveu o livro-reportagem “Indigentes: o Estado que enterra sem avisar”, reconhecido pela Abraji como um dos melhores trabalhos de 2019 e selecionado para a Feira de Direitos Humanos da Conectas. A obra narra casos de desaparecidos que, por omissão do poder público, foram enterrados como indigentes — enquanto suas famílias seguiam buscando por respostas. Foi nesse processo que Maria Vitória entendeu o real potencial da Lei de Acesso à Informação (LAI), ferramenta que moldaria seu trabalho dali em diante.

Em 2021, foi indicada pela Embaixada dos EUA no Brasil para o programa “Transparência e Prestação de Contas no Governo”, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano. Em 2023, foi pesquisadora visitante na School of International and Public Affairs (SIPA), da Universidade de Columbia, em Nova York, com bolsa do Instituto Ling. No mesmo ano, participou da aceleradora de verão para empreendedores do Brown Institute, ligado à Escola de Jornalismo da mesma universidade. Em 2024 foi reconhecida pelo Prêmio Empreendedor Social, uma iniciativa da Schwab Foundation com representação da Folha de S. Paulo no Brasil.

Maria Vitória é uma das principais vozes em defesa da transparência pública no Brasil. Assina a coluna quinzenal “Transparência Pública” na Folha de S.Paulo e já publicou artigos de opinião em veículos como Estadão e Jota, abordando retrocessos e propostas para o fortalecimento da LAI. É fonte recorrente da imprensa: foi entrevistada pelo Jornal Nacional (2022), pelo podcast O Assunto com Natuza Nery (2023), e pela TV Senado, em duas edições do programa Cidadanias (2024). É palestrante frequente em eventos nacionais e internacionais sobre transparência, governo aberto, tecnologia cívica e jornalismo investigativo. Foi convidada pela MySociety para falar no TICTeC 2024 (Londres) e 2025 (Bélgica), palestrou no G20 Social (Rio de Janeiro), no ISOJ em Austin (EUA), e de eventos na Alemanha. Em São Paulo, é palestrante regular do curso de Governança e Compliance do Insper e ministra oficinas em conferências como Coda.br, Abraji e Jeduca. Também é convidada por órgãos públicos, como a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Controladoria-Geral do Estado de Goiás, para falar a servidores públicos sobre o uso da LAI como ferramenta de transformação.

Sob sua liderança, a Fiquem Sabendo se tornou uma força importante na luta pela transparência e pela prestação de contas no Brasil. Ao oferecer conhecimento e ferramentas para que os cidadãos exerçam seu direito à informação, a organização fortalece o engajamento social e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e bem informada.