Nossa Comunidade: lideranças no combate à desigualdade racial no Brasil

O momento requer nosso apoio a todos os agentes de transformação que, por décadas, combatem a naturalização do racismo. Reafirmamos ainda nosso compromisso institucional. E intensificaremos a identificação e o fortalecimento de novos agentes de transformação que façam avançar a agenda da igualdade racial.
Comunidade Ashoka Brasil frente ao Racismo

Ao mesmo tempo em que nos preparamos para identificar novos empreendedores sociais e jovens transformadores comprometidos com o combate ao racismo estrutural no Brasil, reafirmamos o compromisso com os veteranos de nossa rede de Fellows e nos alimentamos de suas experiências para trilhar os novos caminhos. 


Fellow Sueli Carneiro: criou o Geledés Instituto da Mulher Negra em 1988. Filósofa, educadora e ativista antirracismo, tornou-se referência sobre raça e gênero para toda uma geração. Com o Geledés, ajudou a aprovar a criminalização do racismo na Constituição de 1988 e abraçou a defesa das cotas raciais nas universidades brasileiras, defendendo sua constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. Neste vídeo, Sueli elabora a crítica ao epistemicídio científico que nega ao negro a condição de produtor de conhecimentos, limitando os horizontes cognitivos de toda a humanidade. Ao mesmo tempo, seu olhar prospectivo enxerga que a mesma Ciência é capaz de reverter o racismo na produção intelectual. Siga Sueli no Twitter: @SueliCarneiro  


Fellow Jurema Werneck: fundou a ONG Criola para meninas e mulheres negras em 1992 e hoje dirige o escritório brasileiro da Anistia Internacional. Formada em medicina, Jurema viveu a experiência de perder a mãe aos 14 anos, vítima da desassistência do sistema de saúde. No mês passado, diante da crise pandêmica, encabeçou a campanha Nossas Vidas Importam, cobrando das autoridades brasileiras garantias de tratamento não discriminatório e acesso à proteção contra a Covid-19 a populações vulneráveis. Tem convocado os brancos a expressar o antirracismo e repudiar toda forma de brutalidade. Siga Jurema no Twitter: @juremawerneck 


Fellow Adriana Barbosa: fomenta o empreendedorismo negro no Brasil com a Feira Preta, fundada há 18 anos. A arquitetura econômica e social que a Adriana vem construindo busca remover as barreiras invisíveis que excluem os negros do protagonismo cultural, político e empresarial. Com a pandemia, Adriana se uniu a outros empreendedores sociais para estruturar o Fundo Éditodos e apoiar nanoempreendedores negros. O fundo concede uma “cesta básica” que ajuda a reposicionar os negócios com vistas às oportunidades durante e pós-pandemia.
 

Diversos outros Fellows da Ashoka no Brasil lideram iniciativas de combate ao racismo sistêmico: 

  • Bel Santos Mayer lidera um trabalho educativo com jovens em Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, para informar, transformar e reescrever a história dos negros. “A gente não precisa morrer pra ser história.”
     
  • Jayro Pereira de Jesus é um expoente no combate à intolerância religiosa. Fundou a Escola Livre Ubuntu de Filosofia e Teologia, que promove a justiça social e a diversidade epistêmica, especialmente a partir da educação e democratização do conhecimento do negro.
     
  • Paulo Rogério Nunes co-fundou a aceleradora Vale do Dendê, que fomenta o empreendedorismo afro-brasileiro; o Instituto Midia Étnica e o Correio Nagô, que promovem a produção e distribuição de conteúdos pela comunidade afro-brasileira.
     
  • João Souza criou o fa.vela e co-criou o Éditodos para oferecer educação empreendedora e aceleração de negócios e projetos para grupos e territórios vulnerabilizados.
     
  • Celso Athayde é fundador da Central Única das Favelas (CUFA) criada a partir da união entre jovens de várias favelas do Rio de Janeiro – principalmente negros – na busca por espaços de expressão de suas atitudes, vontade de transformar e viver. É a maior organização não governamental com foco nas favelas do Brasil.
     
  • Eliana Sousa Silva é co-fundadora da Redes da Maré que faz um trabalho estruturante de desenvolvimento territorial e garantia de direitos para melhorar a vida dos 140 mil moradores das 16 favelas da Maré, no Rio de Janeiro.
     
  • João Jorge Rodrigues, com o Olodum, levou o Pelourinho para o mundo - e há mais de 40 anos entoa os cantos que combatem a discriminação racial e defendem os direitos dos afrosdescendentes.
     

Jovens Transformadores envolvidos em ações de combate ao racismo estrutural e seus efeitos perversos na sociedade brasileira:

  • Ana Paula Freitas, com o projeto Solta Minha Mãe, que visa reduzir o encarceramento em massa de mulheres.
     
  • Bruno Souza, com o Núcleo de Jovens Políticos em M’boi Mirim, na zona sul de São Paulo, desenvolve tecnologias sociais para entender e articular caminhos possíveis, por meio do pensamento crítico e de ações afirmativas. 
     
  • Isabelle Christina, fundou o projeto Meninas Negras para articular uma rede que amplie oportunidades para jovens negras tendo o uso da tecnologia como suporte. 
     
  • Isabela Cruz, ativista e pesquisadora quilombola, engajou-se no movimento de mulheres negras pela FECOQUI – Federação Estadual de Comunidades Quilombolas do Paraná, onde trabalha com comunidades rurais pela valorização do conhecimento e preservação de tradições.
     
  • Aquataluxe Rodrigues criou a Comissão da Juventude do Olodum em Salvador, para ampliar o diálogo entre gerações, fortalecer o protagonismo dos jovens e aproximá-los da política, facilitando a discussão sobre questões como violência, sexualidade, drogas e racismo.
     
  • Juliana Marques criou o Movimento Mulheres Negras Decidem para ocupar espaços institucionais e políticos. No campo da pesquisa, aliou-se ao Instituto Marielle Franco para publicar recente pesquisa sobre os ativismos da mulher negra no Brasil.
     
  • Wesley Teixeira é coordenador do pré-vestibular popular +Nós, que tem atende gratuitamente a jovens da periferia do Rio de Janeiro, em sua maioria negras e negros. Também faz parte do Voz da Baixada e PerifaConnection, iniciativas onde articula questões como dignidade e participação ativa da juventude nas cidades.
     
  • Mariana Belmont é co-criadora da Rede de Jornalistas das Periferias, constrói o Ocupa Política e colabora com a Uneafro Brasil. Trabalha incansavelmente para que os moradores das periferias tenham acesso à informação e se façam visíveis na grande mídia, sem narrativas estereotipadas. Tem ampliado as pautas sobre racismo ambiental em sua coluna debatendo a exclusão e os privilégios nas disputas por territórios.
     
  • Gelson Henrique criou o Caravana Itinerante da Juventude (CI-Joga) que trabalha junto a escolas públicas do Rio de Janeiro para estimular a participação jovem nas instâncias coletivas de decisão, permitindo que experimentem a potência transformadora do jovem da periferia na política brasileira.
     

Escolas Transformadoras que constroem seus projetos político-pedagógicos com base na diversidade cultural e no resgate da cultura afro-brasileira. 

 

Nota Ashoka Brasil