Cultura Democrática na Escola É Agora

Percursos de debates públicos liderados por jovens

Se você é estudante e tem idade para votar (ou tá quase lá), já sabe que as eleições estão aí. Nossas escolhas são decisivas para transformar o presente e o futuro do Brasil. O voto é super importante e é um direito nosso. Mais de 2 milhões de novos eleitores entre 16 e 18 anos vão exercer esse direito pela primeira vez em outubro deste ano. 

Mas, só o voto não basta, é preciso conversar com sua comunidade sobre os políticos que poderão representar você. E também é preciso fazer as demandas sociais das juventudes chegar até eles. Acreditamos que  a escola pode ser um espaço onde o debate público com respeito é a norma, onde todos desejam e podem participar.

Para isso, oferecemos a você uma série de percursos que ajudam a organizar os debates públicos em sua escola, pensando na coletividade, na tolerância às diferenças e no reconhecimento do outro. 

Esperamos que esses debates façam você sentir a empolgação de participar da festa da democracia!

ilustração debates políticos

A democracia é uma maratona e não uma corrida de velocidade

A  democracia vai além das eleições governamentais! O fazer democrático acontece em todos os lugares: nossas cidades, bairros, no trabalho, na escola e tantos outros espaços. Todos os dias participamos direta ou indiretamente de processos de decisão coletiva. 

A política ocupa todos os espaços! Justamente por isso, elaboramos percursos que convidam as juventudes a refletirem e se organizarem politicamente a partir das escolas. Esperamos que eles despertem em você a vontade de solucionar problemas sociais e transformar sua comunidade. 

Ah, qualquer dúvida escreva para [email protected]

ilustração debates públicos

Confira os Percursos de Debates Públicos já Disponíveis

01. Arquitetando a escola para os debates públicos

CONTEXTO

Quando falamos em cultura democrática, o que vem à sua cabeça? Política? Algo desconhecido? Igualdade? Para explicar um pouco este termo, trazemos uma fala dos cientistas políticos Gabriel Almond e Sidney Verba, que entendem a Cultura Democrática como “um conjunto de crenças, atitudes, normas, percepções e inclinações, que alicerçam a participação”. No contexto da escola isso se traduz na participação cotidiana da comunidade nas decisões e responsabilidades que dizem respeito ao convívio e às aprendizagens. A valorização da cultura democrática visa a participação de todes na construção de um ambiente que garanta os direitos das pessoas e promova o desenvolvimento do país.

Existem processos que facilitam o percurso para alcançarmos e cultivarmos a democracia, como os debates políticos, um dos modelos mais comuns em momentos de eleições. Este processo busca informar os eleitores sobre os valores, visões e propostas dos candidatos aos cargos eletivos.

AÇÃO

Vamos começar nosso percurso pelo lugar mais óbvio, o Ponto de Partida. Faça um mapeamento do contexto escolar. Assim, identificaremos as questões relevantes para promoção de debates públicos. Nesta etapa, vamos mapear os obstáculos, as oportunidades, as lideranças locais e grupos ou pessoas que desejam conversar sobre política e democracia. Esses são os pontos luminosos do nosso mapa.

Você pode usar algumas das perguntas abaixo para orientar a pesquisa e a compreensão do contexto local e começar a arquitetar uma estrutura social na escola para os futuros debates. Mas, você também pode criar suas próprias perguntas. Vamos lá!

1- Como você descreveria sua escola hoje? 
2- A escola promove oportunidades para a discussão pública? Quais?
3- Os estudantes opinam, participam e decidem sobre os rumos da comunidade escolar? Como?
4- Na sua opinião, quais são os maiores desafios da sua escola para viver a democracia em prática? 
5- Que pessoas ou ações podem fazer de sua escola um espaço mais democrático? 
6- Você tem interesse em participar de debates democráticos? Como gostaria de contribuir?

Você pode conduzir este mapeamento de várias maneiras. Aqui encontra algumas alternativas:

Alternativa 1. Faça entrevistas ou entregue o formulário de perguntas impresso para todo corpo escolar (profissionais de limpeza, profissionais da cozinha, alunos, professores, direção). Dê tempo para que as pessoas respondam com calma. Se você for entrevistar pessoalmente, escute com atenção. Cuidado para não influenciar as respostas. Tome nota de tudo, pois as respostas são dados importantes para trilhar o percurso.

Alternativa 2. Crie um formulário com as perguntas base no Google Form e dissemine na escola e no entorno.

Alternativa 3. Em um ponto estratégico da escola, disponibilize um caderno ou folhas impressas com as perguntas base para que as pessoas tenham autonomia para responder. Se possível, pode colocar uma urna para o depósito das respostas.

Você deve obter o maior número de respostas possível para que possamos ouvir a voz de todos e levantar todos os pontos importantes.

Análise das Respostas
Com os dados à mão, é hora de entender como a comunidade avalia a cultura democrática da escola e o interesse em debates públicos. Você pode tabular os dados usando o Google Sheets ou outras ferramentas e preparar uma apresentação e convidar toda a escola para assistir. Identifique pelo menos um estudante, que possa lhe ajudar a organizar e conduzir esse encontro, e um professor que apoie a iniciativa.

Apresentação da Proposta de Debates Públicos na Escola e Escuta entre os jovens

Passo a passo

1. Convoque
os estudantes, funcionários, professores, gestores e todos os que participaram da pesquisa para conhecer os resultados. Reserve um local onde todes possam se reunir e organize a apresentação dos achados.
Tempo estimado: 1-2 dias

No dia da reunião...
2. Conheça o grupo. 
Explique o objetivo do encontro e faça uma rodada de apresentações, incluindo: nome, idade e uma curiosidade sobre cada pessoa. Caso o grupo seja muito grande, prepare-se para fazer perguntas e anote as respostas do grupo, por exemplo: quem está no ensino médio; quem já tem idade para votar; quem já tem o título de eleitor; quem respondeu ao questionário? Entender os contextos e a subjetividade de cada pessoa, é uma forma de mapear e se preparar para compreender com quem estamos falando e como iremos introduzir os assuntos propostos.
Tempo estimado: 20 min

3. Apresente os resultados da pesquisa. Destaque o número de participantes; as respostas agrupadas e analisadas; comente os achados mais relevantes. Dê oportunidade para que os participantes façam perguntas e comentários.
Tempo estimado: 20 min

4. Rodada de conversa. Investigue que temas para debates públicos mais despertam interesse no grupo presente e quem se interessa em promover debates na escola sobre esses temas. Verifique quem conhece lideranças na escola ou na comunidade sobre os temas levantados.
Tempo estimado: 10 min

5. Mapeie as lideranças interessadas em debates públicos e seus propósitos. Em uma folha de papel ou em um quadro, comece a anotar os nomes das pessoas relevantes associadas aos temas escolhidos. Descreva o que fazem e onde trabalham. Veja se alguém tem contato com essas pessoas. Discutam o propósito. O que se quer mudar nessas agendas. Identifique se existem leis, normas, regulamentações ou programas públicos relacionados aos temas de interesse e quem seriam os representantes políticos da região mais envolvidos com o tema.
Tempo estimado: 20 min

6. Defina os próximos passos. Agora que você já tem muita informação, defina o propósito do trabalho conjunto. Consulte os participantes para ver quem se interessa por participar de um grupo de trabalho. Designe responsabilidades e metas e descreva como esta mobilização pode aprimorar a escola.

Depois da reunião... 
7. Comunique com todos os participantes.
Agradeça e, se possível, disponibilize o resultado da pesquisa para toda a comunidade escolar. Registre e compartilhe as decisões e responsabilidades e a agende os próximos encontros.

PARA INSPIRAR

Saiba como foram as Ocupações Escolares de 2016 e entenda o protagonismo dos jovens nesse movimento

Conheça histórias de Jovens que reinventam a forma de aprender e socializar decisões no processo de educação
Carolina LParticipe do Globalizando em todo o Brasil.
Vinnicius Rodrigo. Conheça a Somos Cordel, incubado no Porto Digital em Recife (PE).
Luiz César, de Mata Grande (AL), que traz à agenda pública as demandas das juventudes rurais e integra o Conselho Estadual da Juventude do Estado de Alagoas. 
Beatriz L. Conecte-se pelo Insta: @afro_amazonida e participe de suas ações no estado do Pará.
Livia. Incentive o protagonismo juvenil na região Norte, com o Levanta Jovem.
Aisha de Fortaleza (CE) e sua equipe de empoderamento feminino no De Mãos Dadas.
Alfredo Neto. de Passira (PE) e o Vontade de Aprender Idiomas (VAI).
Juliana P. Conheça o Historiar-te pra se aprofundar na história e promover a cultura de paz entre os povos.
Luiza S. que democratiza a aprendizagem de robótica pelo Reprogramando em plataforma digital.
Bruno S. e o coletivo jovem [email protected], que trabalham por uma educação antirracista e co-criam os Percursos de Debates Públicos na Escola.

REFERÊNCIAS

Conheça as 27 Propostas para um Ensino Médio Democrático, Inclusivo, Integral e Transformador
Manual de Defesa contra a Censura nas Escolas
#Reviravolta da Escola, veja como a pandemia mostrou outros caminhos possíveis para se recriar a escola necessária para atender o jovem do século XXI
Leia a reflexão crítica da educadora Helena Singer sobre a visão da escola na pandemia: Não voltar, recriar a escola
Conheça o repertório de práticas para fortalecer a participação dos estudantes, na plataforma Faz Sentido

AGORA É COM VOCÊ

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02. O primeiro voto e o protagonismo juvenil

CONTEXTO

As eleições estão logo aí e este é um momento de engajar a comunidade escolar em debates públicos, reflexões e principalmente ações que contribuam para amplificar as ideias e vozes das juventudes. Educadores, juventudes e gestores da educação podem e devem desempenhar um papel fundamental nesse processo!

Neste percurso, reunimos alguns passos/dicas para que todes da escola possam fortalecer a mobilização política de jovens.

AÇÃO

1.  Cada voto conta: a política durante e entre as eleições. 
  • A política não acontece só em ano de eleição! Quando falamos que cada voto conta não é só sobre votar, mas sobre pensar em quem irá representar você, ou até mesmo pensar em se candidatar algum dia. É preciso acompanhar a trajetória, as ideias e projetos de políticos todos os dias. E ainda saber os caminhos para influenciar políticas e colocar suas pautas nas agendas dos representantes.
  • A escola pode ser sua aliada, construindo planos de ensino que ampliem seu olhar sobre política e ensinem mais sobre os espaços de decisão coletiva (e você pode exigir isso!). Educadores também podem facilitar espaços para debates públicos, fortalecendo a cultura democrática. Isso pode acontecer nas aulas, em atividades extra-classe, nos trabalhos de pesquisa e ação com a comunidade.
  • Todo/a professor/a ou gestor/a que apoia esta mobilização cria um vínculo respeitoso e horizontal com as juventudes na escola.
2. E então, basta continuar incentivando a cultura democrática criando um espaço para aprender e praticar a participação democrática na escola
  • A sala de aula pode ser um lugar que estimula conversas e debates entre os estudantes. Você pode começar instigando reflexões sobre como a democracia acontece na escola e como se relaciona com as políticas públicas governamentais. 
  • Faça perguntas: Quem decide o que vamos estudar? Os alunos ou a comunidade fazem parte do processo de decisão do orçamento escolar? Como é escolhido/a o/a diretor/a da sua escola, há uma eleição? Se sim, quem pode participar?
    • Essas perguntas podem servir como ponto de partida para a participação dos jovens na vida democrática da escola e da sociedade!
3. Promover discussões sobre as pautas das eleições irá expandir os aprendizados que temos nas escolas para além dos muros
  • Utilize a sala de aula para trazer reflexões sobre a importância do engajamento e participação dos jovens nas eleições. Convide os estudantes a refletir sobre o impacto da mobilização das juventudes no cenário político.
  • Faça uma retrospectiva da participação juvenil em momentos históricos da política brasileira. Nestes artigos do Politize!, você encontra seis momentos em que os jovens impulsionaram movimentos de contestação das condições políticas e sociais da época, desde a Coluna Prestes, nos anos 1920, passando pelos protestos de 2013, que começaram com o Movimento Passe Livre, até as Ocupações de Escolas, em 2016. Quais eram as reivindicações desses jovens? Como se organizaram? Como o protagonismo juvenil marcou a história do Brasil?
  • Traga referências que inspiram! Algumas sugestões são as histórias de Malala Yousafzai, que têm defendido o direito à educação para meninas,  e a da Greta Thunberg, uma jovem engajada na proteção ao meio ambiente e no enfrentamento das mudanças climáticas.
  • É importante destacar temas relevantes dentro da realidade das juventudes.
  • E, reconhecer coletivos e jovens lideranças do território que impactam diretamente a vida cotidiana dos jovens e de sua comunidade. Movimentos da associação de moradores do bairro e dos representantes políticos da região são alguns exemplos.
4. Estimule a participação democrática no contexto institucional da escola!
  • Essa participação pode acontecer de várias formas: seja por meio de grêmios, associações de moradores ou outras instituições políticas. 
  • Ao incentivar os estudantes a refletirem sobre quais propostas estão alinhadas a suas perspectivas de futuro, será possível fortalecer a participação democrática e o interesse em votar.

PARA INSPIRAR

Mc Soffia - Voto é atitude (Kondzilla e Atlas das Juventudes)
Olha o Barulhinho
Grupos de Jovens se mobilizam para incentivar adolescentes de 16 e 17 anos a tirarem o título de eleitor
Beatriz D. e o clube Girl Up Elza Soares, no Rio de Janeiro, que Beatriz co-lidera para fortalecer a voz de meninas e garantir que suas demandas sejam levadas a sério.
Midria e o Slam USPerifa em São Paulo para democratizar o acesso ao ensino superior e levar jovens negros da periferia para a universidade
Maria Clara, de Itabira (MG), que realiza ações que apoiam e acolhem vítimas de violências
Gelson Henrique e a Caravana Itinerante da Juventude (CIJoga) que estimulara participação política e social de jovens de periferia e favelas, materializando o que está previsto no artigo 4º do Estatuto da Juventude: “O jovem tem direito à participação social e política e na formulação, execução e avaliação das políticas públicas de juventude”.

REFERÊNCIAS

Conheça as 27 Propostas para um Ensino Médio Democrático, Inclusivo, Integral e Transformador
28 formas de exercer a cidadania além do voto. Politize! por Luis Fernando Iozzi (publicado em: 18/09/2021)
Posso mudar o país? 5 formas de participar da política nacional. Politize! por Isabela Souza (publicado em: 27/03/2018)

AGORA É COM VOCÊ

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03. Acesso ao ensino superior sem camisa de força

CONTEXTO

Muitos de nós, jovens, nos sentimos ansiosos e inseguros às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros exames vestibulares. São reações normais! Afinal, o ingresso no Ensino Superior é um direito e um capítulo importante no desenvolvimento pleno de cada pessoa.

ART. 205 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

A educação, direito de todos e dever do Estado
e da família, será promovida e incentivada com
a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para
o exercício da cidadania e sua qualificação para
o trabalho.

Antes mesmo do jovem pensar na preparação para os exames de admissão ao Ensino Superior, tem que responder a muitas perguntas. Que curso quero fazer? Que universidades têm boa reputação na minha área de interesse? Vou fazer o Enem?

Se você está no Ensino Médio, essas perguntas certamente estão no seu dia a dia. A universidade é símbolo de ascensão social e faz parte do projeto de vida de muitos estudantes. 

Entretanto, acessar esse espaço ainda é um obstáculo para muitos jovens, sobretudo por causa dos vestibulares que não consideram os modos de vida, as condições, os projetos de futuro e os anseios das juventudes. 

Já imaginou se o ingresso no Ensino Superior também considerasse o seu corre, e sua criatividade e a experiência que você ganhou na convivência comunitária, como critérios para a admissão? Como seriam esses exames se eles avaliassem um conjunto de valores e práticas dos estudantes em vez de uma lista de conteúdos? Vamos conversar sobre isso?
 

COR.RE
s.m.
correria, trampo, bico, tarefa, iniciativa:
E no corre do cash tem que ganhar mais que perder,
financiar o seu sonho e acreditar em você.

(Eu Compro, Racionais Mc’s)
Dicionário Capão, de Hugo Cacique
 

Este Percurso tem o propósito de estimular uma roda de conversa na sua escola que discuta o impacto dos exames vestibulares na aprendizagem e em toda a prática escolar. Por meio dessas conversas, você e seus colegas poderão refletir sobre o histórico do Ensino Médio no Brasil e resgatar o direito a discutir as reformas educacionais que afetam os mais de 10 milhões de jovens em idade de cursar essa etapa da educação básica

COMO COMEÇAR

Você já se perguntou como nasceram os vestibulares? O coletivo [email protected] recomenda a leitura deste breve artigo, que traça a história dos vestibulares no Brasil, desde o século XIX até o Enem se tornar o maior vestibular do país.  

Mas, nos últimos anos, foram aprovadas várias reformas no Ensino Médio e no sistema de ingresso ao Ensino Superior, que não foram amplamente debatidas com a sociedade. Para saber mais sobre a implementação do Enem, leia o documento publicado em março de 2022, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Ele  traz um histórico da implementação do Enem. Veja as páginas 6-10 do documento

No mesmo documento, o CNE faz recomendações de novas mudanças no Enem, a partir de 2024. Dentre elas está a inclusão de questões discursivas na primeira fase. Enquanto a segunda fase teria foco na área de conhecimento escolhida pelo estudante no Ensino Médio, adaptando o Enem aos itinerários formativos do novo Ensino Médio.

Dessa forma, a segunda fase estaria organizada de acordo com as seguintes carreiras: 
- Área da Saúde e Biológicas; 
- Matemática, Engenharias e Tecnologias; 
- Humanidades, Linguagens e Arte; 
- Ciências Sociais Aplicadas. 
O Inglês seria língua estrangeira obrigatória na segunda etapa do Enem. 

O que você, estudante e seus colegas, que são os principais interessados nessas mudanças, acham delas? Bora conversar e manifestar nossa opinião?

AÇÃO

Podemos começar convidando mais pessoas a refletir sobre o que faz com que certos grupos sociais tenham um melhor desempenho nos vestibulares e como podemos traçar estratégias para influenciar as políticas públicas de acesso ao Ensino Superior.

Preparação

O primeiro passo para abrir os debates é compreender o seu cenário local. 

  1. Descubra: Os jovens da sua escola falam sobre ingressar na universidade?  Quais são os cursos mais desejados?  Que motivações eles têm para o ingresso no Ensino Superior?
  2. Lance enquetes no Instagram ou em outro app. Você também pode coletar respostas em papel, criando um pequeno quiosque em sua escola com as perguntas impressas ao lado de uma urna (que você mesmo pode fazer com caixa de papelão).
  3. Para organizar um debate sobre os processos de seleção para o Ensino Superior, converse com a comunidade escolar. Podem ser representantes de turma, grêmio estudantil, coletivos, corpo docente ou os gestores da escola. Crie sua equipe.
  4. Após levantar essas informações, prepare o seu plano de mediação da roda de conversa. É importante se preparar para algumas pautas, criando pontos de discussão ou até mesmo materiais visuais que possam servir de base para as conversas. Cada pessoa na equipe pode se responsabilizar por levantar informações sobre uma a duas das questões abaixo. Indicamos algumas referências. 
    • Apresentação do processo histórico de acesso dos estudantes ao Ensino Superior. Veja a linha do tempo nas páginas 6-10 do documento Proposta de recomendações ao novo Enem, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação, Março/2022.
    • Como são os vestibulares e os processos seletivos para entrar nas universidades? Como são as provas de vestibular atualmente? Há um vasto material na internet, mas o vídeo da @profanelize é bem popular e instrutivo: O que é o Vestibular? E o Enem? Um guia para iniciantes.
    • Como o Ensino Superior impacta o desenvolvimento individual e social? Você pode conversar com amigos que já cursaram a faculdade, pode ler artigos sobre o tema, ou assistir ao documentário Enem 20 anos: um Exame do tamanho do Brasil, especialmente a partir do minuto 10:30.
    • Quais os caminhos possíveis para as pessoas periféricas ingressarem na universidade? Introdução à Lei de Cotas, que completa 10 anos e irá passar por revisão. Saiba mais neste artigo.

Quando: cerca de 2 semanas para esta preparação.

Mobilização

Mobilize sua escola e chame o máximo de pessoas para participar! Podem ser estudantes, professores, coordenadores e familiares, todes são bem-vindes. Discutam as melhores ferramentas para comunicar a realização do debate e que mensagens vão atrair as pessoas para o evento.

Em conjunto, definam a melhor data, horário e espaço, não esqueçam de pensar em um convite atrativo para a divulgação, que pode ser feito pelas redes sociais ou impresso.

Quando: uma semana antes da roda de conversa.

Roda de Conversa Passo a Passo

1. Apresentações: Realize uma breve dinâmica de apresentação do grupo. Quem são as pessoas que estão organizando o debate e quem são os convidados, no caso de terem chamado pessoas com experiência no tema - pode ser um/a ex-aluno/a, um professor/a, um gestor/a.. 
Tempo estimado: 5 min

2. Introdução ao tema: É necessário entender o contexto da sua unidade escolar. Caso não tenha feito um levantamento prévio sobre as motivações dos estudantes de sua escola para cursos do Ensino Superior, faça perguntas como;
- Quem quer ingressar no curso superior?
- Vai fazer Enem?
- Quem está fazendo curso pré-vestibular?  
- Quem está fazendo curso pré-vestibular social?
- Qual curso na faculdade você quer fazer? Cite alguns cursos para capturar o interesse do grupo. E convide algumas pessoas para falar que curso querem fazer e porquê.
- Já escolheu a universidade? Cite algumas universidades públicas e privadas para entender as preferências.
Tempo estimado: 15 min

3. Trocando experiências: Agora que apuramos as expectativas, inquietações e dúvidas dos estudantes, é o momento de apresentar as possibilidades e caminhos para entrar na universidade.

Pergunte o que os participantes já sabem sobre os processos seletivos para entrar no Ensino Superior. Anote as respostas de forma que todos possam ver. Verifique quais são as dúvidas e complemente com os levantamentos que fizeram antes da roda de conversa.

Todo mundo pode pesquisar. Todo mundo pode contribuir. Todo mundo pode perguntar, responder e ajudar com o entendimento dessas questões. A conversa pode continuar em outros momentos se as dúvidas não forem sanadas na roda de conversas.

Neste momento também é importante despertar o senso crítico dos estudantes. Proponha, por exemplo, uma discussão sobre: 
- as habilidades e experiências que os estudantes têm, mas que não são avaliadas pelos vestibulares, por exemplo: trabalhos comunitários, participação em redes, coletivos, conselhos, experiências profissionais, conhecimentos tradicionais, dentre outros;
- como os vestibulares poderiam considerar e valorizar evidências desses conhecimentos, habilidades e experiências?
Anote as contribuições dos participantes.
 
Tempo estimado: 30 min

4. PesquisAção: Pergunte aos participantes se eles estão cientes de que o Conselho Nacional de Educação recomendou mudanças ao Enem, que seriam implementadas em 2024. Convide os participantes a fazer a leitura do documento Proposta de recomendações ao novo Enem, divulgado em Março/2022, que você e sua equipe devem ter lido antes da roda de conversa.

Antecipe para o grupo as principais mudanças propostas pelo documento. Proponha que os participantes acessem o documento nos próximos dias. Marquem suas dúvidas e comentários. Faça um levantamento dos principais pontos e agende nova roda de conversa.

Lembre-se que o objetivo é influenciar transformações nas políticas públicas de ingresso ao Ensino Superior, garantindo um amplo debate com a sociedade e principalmente com os estudantes em idade de cursar o Ensino Médio. Esse processo não pode ser levado como um percurso individual, a coletividade é um dos pilares para construção de um caminho colaborativo.

Na próxima roda de conversa, busque possibilidades de diálogos com lideranças políticas locais, instituições educacionais e ações inovadoras.

Tempo estimado: 20 min

5. Fechamento: Agradeça a todes participantes. Recomende que compartilhem com seus colegas informações sobre audiências públicas, eventos de reflexão sobre acesso a universidade, cursos preparatórios, e sistemas de avaliação de desempenho no Ensino Médio. 
Tempo estimado: 5 min

6. Debatedores respondem às questões dos jovens: Os mediadores fazem uma breve síntese das principais ideias e informa que um resumo do debate estará disponível em [data] pelo [canal]. agradecendo a participação de todos e incentivando todes a votarem nas eleições e a participar ativamente do governo. 
Tempo estimado: 5 min

Pós Roda de Conversa

Você pode montar um grupo de trabalho para acompanhar as proposta do CNE ao novo Enem e produzir mini-podcasts para divulgar o andamento.

PARA INSPIRAR

Cursinhos comunitários para estudantes de baixa renda
Cursinho Popular Carolina de Jesus, São Paulo
Redes da Maré Curso Pré-Vestibular, Rio de Janeiro
Educafro, São Paulo
Lista de cursinhos comunitários por estados (Consulte Estado)
Conhece outros? Divulgue.

Conheça histórias de Jovens e Empreendedores Sociais que mobilizam redes para o enfrentamento das desigualdades
Vinnicius Rodrigo. Edutech liderada por estudantes cria jogos para engajar crianças com questões sociais
Edgard Gouveia, a Jornada X para colocar a mão na massa para cuidar das pessoas e do planeta

REFERÊNCIAS

Conheça as 27 Propostas para um Ensino Médio Democrático, Inclusivo, Integral e Transformador
Proposta de recomendações ao novo Enem. Conselho Nacional de Educação, Março/2022.
Assista ao documentário da TV Escola. Enem 20 anos: um Exame do tamanho do Brasil, com o depoimento dos idealizadores do Enem.
Saiba mais sobre o Enem, no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
Censo Escolar - Educação Básica 2019. Resumo Técnico, que traça um panorama da Educação Básica no Brasil com estatísticas apresentadas em série histórica, possibilitando visualizar tendências.
Dicionário Capão, de Hugo Cacique, traz mais de 450 verbetes da obra dos Racionais MC's, com foco na identidade das quebradas.

AGORA É COM VOCÊ

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04. Debatendo cotas: quando as maiorias estão em minoria

 

CONTEXTO

Pessoas pretas e pardas compõem 56% da população brasileira. Mas, ainda estão subrepresentadas no Ensino Superior. Levantamento feito a partir de dados do IBGE, pelo site Quero Bolsa, mostra que em 2019 estuantes negros eram 38% dos matriculados. Mas, essa proporção já foi muito menor. Em 1995, apenas 1% dos universitários eram negros, sendo que nessa época 25% da população mal sabia ler e escrever. Foi com a Lei 12.711, também conhecida como Lei de Cotas, em vigor desde 2012, que jovens negros começaram a ter acesso à universidade. Aqui você encontra respostas para algumas das perguntas mais frequentes sobre a Lei de Cotas.

Apesar de ter promovido a ampliação de estudantes de baixa renda, negros e indígenas, bem como daqueles que cursaram integralmente o Ensino Médio em instituições públicas, a Lei de Cotas ainda não conseguiu reverter a exclusão racial no Ensino Superior e a discriminação no mercado de trabalho. 

Por exemplo, estudantes cotistas não conseguem viver a universidade plenamente, isto é, aproveitar os espaços de debates políticos (como os centros acadêmicos), de esportes e estudos, devido às desigualdades sociais que ainda enfrentam, tendo que combinar pesadas jornadas de trabalho e deslocamentos com os estudos. 

Depois da universidade, encontram outros obstáculos. Um levantamento realizado pela consultoria iDados revela que a parcela de pessoas negras levadas a aceitar um emprego abaixo de sua qualificação aumentou, entre 2015 e 2020, de 33,6% para 37,9% entre os homens e de 27,3% para 33,2% entre as mulheres. Mais jovens cursam o ensino superior, porém muitos ainda são forçados a atuar em posições que requerem nível médio ou fundamental. 

A promulgação da Lei de Cotas previa que o Poder Executivo deveria implementar, no prazo de dez anos, um programa de acompanhamento que avaliasse a necessidade de continuação ou aprimoramento dessa política. Estamos nos aproximando deste momento! Cabe à comunidade escolar, como as maiores interessadas nesta política pública, participar ativamente do debate.

Qual é a sua opinião sobre a Lei de Cotas? Você conhece algum/a estudante cotista? Como o Ensino Superior afetou sua vida? Você seria elegível a cotas? Que oportunidades a Lei de Cotas poderia representar para os estudantes de sua escola? Os membros de sua família? Os jovens de sua cidade? Neste percurso, propomos que você e seus colegas reflitam criticamente sobre estas questões. 

OBJETIVOS

  1. Despertar o interesse de jovens por políticas públicas de enfrentamento às desigualdades sociais e ao racismo, especialmente a Lei de Cotas. 
  2. Alertar para a possibilidade de sua revisão, em 2022. 
  3. Aumentar o repertório dos jovens sobre os efeitos de políticas públicas afirmativas e o que pode ser aprimorado. 
  4. Estimular a formação de opinião baseada em evidências sobre a Lei de Cotas e seus propósitos.
  5. Priorizar a questão de políticas afirmativas na escolha de representantes políticos e nas práticas da educação.

AÇÃO

A inclusão na universidade de pessoas negras, indígenas, com deficiência (PCDs), pobres e tantos outros grupos sociais marginalizados está longe de ser unanimidade. Segundo pesquisa do Datafolha, de junho de 2022, a população brasileira se divide quando o assunto são as cotas raciais nas universidades públicas. O apoio é maior (60%) entre as pessoas com filhos em escolas particulares, cuja Lei não as beneficia diretamente com vagas. A política também tem ligeiramente mais apoio entre pretos (53%) e pardos (52%) do que entre brancos (50%), enquanto 34% se manifestam contrários às cotas, 3% indiferentes e 12% não sabem responder.

Preparação

Contra ou a favor? Debates sobre temas controversos exigem preparo e você precisa conhecer os argumentos a favor e contra as cotas.

Não há como negar a relevância das cotas na inclusão de pessoas negras e indígenas nas universidades. Mas, há quem conteste publicamente essa versão. Escute o podcast Mano a Mano, que entrevista o vereador paulistano Fernando Holiday (Novo). Para ele, a cotas “podem colocar pessoas negras em situação de humilhação”.

Em outro episódio da série podcast Mano a Mano, o rapper Mano Brown entrevista Sueli Carneiro, uma das maiores referências do movimento negros, doutora em educação pela USP, fundadora do Geledés - Instituto da Mulher Negra e defensora da Lei de Cotas.

Que argumentos mais tocaram você nessas conversas?

Quais deles você destacaria no debate em sua escola? 

É importante que você tenha em mente dois aspectos sobre as cotas. Em primeiro lugar, elas são políticas públicas que têm por objetivo incluir grupos sociais historicamente marginalizados e é a isso que se chama ação afirmativa, pois combate discriminações presentes na sociedade, como o racismo e o classismo. 

Em segundo lugar, hoje há dois tipos de cotas: a social e a racial. A cota social reserva uma quantidade de vagas em cada curso de universidades públicas para pessoas de baixa renda — que tenham uma renda de 1,5 salário mínimo per capita em sua família. Já no caso das cotas raciais, essas abrangem o grupo PPI, de pessoas pretas, pardas e indígenas. 

Identifique um/a professor/a, coordenador/a ou mesmo um coletivo ou grêmio estudantil que apoie a organização do debate! 

Quem você e seu time gostaria de chamar para o debate? Lembrem-se de convidar pessoas com opiniões divergentes, por exemplo, uma a favor e outra contra as cotas/ Porém, sempre comprometidas com uma conversa respeitosa e construtiva.

Escolham uma data e um lugar acessível para que toda a comunidade escolar possa participar! Definam os estudantes mediadores da conversa e, principalmente, façam uma ampla divulgação sobre o debate nas redes sociais e junto à comunidade escolar, instigando reflexões e questões que atraiam participantes.

Debate Passo a Passo

1. Apresentações: Dê as boas vindas a todas as pessoas participantes; explique como vai funcionar o debate, informando que as discussões estão sendo documentadas e que haverá tempo para perguntas do público.
Depois, apresente as pessoas convidadas, agradeça a presença delas e explique porque elas são importantes neste debate.
Tempo estimado: 5 min

2. Breve introdução sobre a Lei de Cotas: Destaque 3-4 elementos da Lei de Cotas que sejam mais relevantes para a sua comunidade escolar, por ex: data e contexto da criação da Lei; evolução do perfil demográfico dos estudantes matriculados em entidades federais desde a criação da Lei; principais desafios dos estudantes cotistas para concluir o curso; dados de performance dos estudantes cotistas. Atente ao fato de que em 2022 a Lei de Cotas completa 10 anos e pode ser revisada.
Tempo estimado: 5-10 min

3. Esquenta, perguntas preliminares: 

1. Comece perguntando se as pessoas convidadas foram de alguma forma impactadas pelas Leis de Cotas e como? Estabeleça um tempo equivalente para os comentários de cada uma (3-4 minutos são suficientes).

2. Peça que cada pessoa dê um panorama geral sobre a Lei de Cotas, trazendo os seus pontos de vista sobre sucessos e fracassos da Lei. 

3. Pergunte quais são as suas perspectivas neste marco de 10 anos da Lei de Cotas.
 
Tempo estimado: 25 min

4. Abra a discussão para as pessoas em geral: A depender da maneira como as perguntas sejam feitas (por escrito ou falada), abra espaço para que aconteçam interações entre a plateia e as pessoas convidadas. Reserve tempo para acolher 4-5 perguntas.

Dica! Você pode pré-combinar uma pergunta com colegas entusiastas dos debates (estudantes, professores, gestores) para quebrar o gelo. Perguntas feitas oralmente devem ser objetivas e breves.

Dê tempo para respostas. É importante ser breve e usar uma linguagem acessível. Incentive respostas que explicitem os valores, visões de futuro e posicionamentos políticos das pessoas convidadas. 

Você pode pedir para que indiquem as/os candidatas/os que mais estão engajados com a agenda de cotas, inclusão e equidade no seu estado ou região.

Tempo estimado: 20 min

5. Encerramento: Se possível, convide colegas que são bons sintetizadores de ideias a apresentar os principais pontos discutidos.

Agradeça a participação e incentive as pessoas a votarem nas eleições e a participar ativamente da construção de políticas públicas. 

Tempo estimado: 5 min

Pós Roda de Conversa

O debate é um espaço para investigar e aprender sobre temas que interessam às juventudes, mas a reflexão não se esgota nisso. No pós-debate, é importante documentar as ideias que surgiram e as propostas para melhorar as políticas de cotas. Você então pode:

  1. Circular para toda a comunidade escolar um documento (newsletter, fanzine, cards nas redes sociais) com as informações, propostas e questões debatidas. 
  2. Neste documento, lembre de: 
    • Introduzir o contexto do debate: onde aconteceu, porque, quando, qual a importância do tema discutido etc.; 
    • Contar como o debate aconteceu: destaque os principais pontos, ideias e conteúdos discutidos;
    • Conte quais foram as propostas apresentadas pelas juventudes , liste uma a uma. 
  3. Revise o texto!
    • Primeiro, veja  se o grupo organizador tem algo a acrescer ou editar.
    • Depois, peça para que as pessoas responsáveis pelos debates revisem e, se for o caso, edite o texto acrescentando ideias 
    • Lembre-se de adotar uma linguagem simples e acessível.
  4. Busque formas de produzir cópias do documento: sejam impressas, digitais ou produzidas manualmente.
  5. Distribua o documento entre os jovens e toda a comunidade, mesmo para quem não esteve presente. 

PARA INSPIRAR

Você sabia que a USP foi a última universidade do Brasil a adotar as cotas? Isso foi trabalho do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Núcleo de Consciência de Negra da USP, um dos maiores articuladores pela expansão das cotas e direitos de pessoas negras. 

As cotas bastam? Para a Jovem Transformadora Ashoka, Midria, não. Nós precisamos criar espaços de fortalecimento para estudantes negros, trans, indígenas e de periferia. Veja o vídeo da Midria, e conheça o Slam USPerifa!

Ainda que pessoas trans e travestis não sejam contempladas pela política de cotas, há uma exceção: a Universidade Federal do ABC (UFABC)! Busque contatos com estudantes que contribuíram com essa conquista. 

2022 é ano de revisão das cotas, isso significa que precisamos ter opinião a respeito, cobrar dados confiáveis sobre seus efeitos, debater as necessidades de melhoria da política pública e fortalecer um Ensino Superior comprometido em ampliar a potência que há em cada pessoa. Neste texto do Nexo Jornal você encontra mais informações sobre a revisão da política da cotas.

REFERÊNCIAS

Conheça as 27 Propostas para um Ensino Médio Democrático, Inclusivo, Integral e Transformador

O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. Abdias Nascimento, São Paulo. Perspectivas, 2016.

Negros são 75% entre os mais pobres; brancos, 70% entre os mais ricos. Carlos Madeiro. UOL, 13/11/2019. 

Lei Nº 12.711 (Lei de Cotas), de 29 de agosto de 2012.

A radical imaginação política das mulheres negras brasileiras. Ana Carolina Lourenço  e Anielle Franco (organizadoras). São Paulo: Oralituras e Fundação Rosa Luxemburgo, 2021

Diana Mendes, Políticas raciais: da identidade à estrutura.

Presença dos mais pobres nas universidade brasileiras cresceu seis vezes em 20 anos - mas estagnou a partir de 2016. Lianne Ceará, Marcos Amorozo e Renata Buono, Piauí, UOL / Folha de São Paulo. 13/05/2021.

Apesar de ter melhor desempenho, aluno cotista precisa de apoio. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 03/03/2018.

Cotas no Instituto de Relações Internacionais da USP: permanência e a excelência da graduação. Felipe Loureiro, Jornal da USP.  03/12/2021.

AGORA É COM VOCÊ

Bora trilhar este Percurso na prática? Compartilhe com a Ashoka a sua ação de debates públicos na escola. Mande fotos, vídeos, relatos para nosso Instagram @ashokabrasil ou por email [email protected] que a gente vai compartilhar com a nossa rede e convidar você pra fazer parte de Um Mundo de Pessoas Que Transformam!

05. Um ambiente saudável para todes, sem sacrifícios

CONTEXTO

Como todo sistema, a vida na Terra tal como a conhecemos é regida por processos interconectados que sustentam as condições de temperatura, da água, a disponibilidade de alimentos, enfim, a existência de ambientes seguros para nós e para todas as espécies. Sempre que a gente muda um processo, como emitir muito mais gases de efeito estufa do que as plantas ou microrganismos podem absorver (a exemplo do CO2), corremos o risco de romper todo o funcionamento do sistema. Vários estudos mostram que já cruzamos pelo menos 4 dos 9 dos Limites do Planeta: as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, a mudança no uso dos solos e os ciclos de fósforo e nitrogênio. Veja mais nesta matéria da BBC.

A preocupação das juventudes com essa grave crise vem sendo evidenciada por movimentos ativistas, mas também pela ansiedade e a insegurança que os jovens manifestam no dia de amanhã. Durante as eleições, e para além delas, os jovens querem que a escola crie as condições para que os estudantes possam envolver toda a comunidade na construção de um desenvolvimento dentro dos limites do planeta. E que possam questionar lógicas econômicas e sociais que sacrificam o bem-estar de populações de baixa renda e grupos sociais discriminados em favor do desenvolvimento que favorece as elites.

Você também entende que cuidar do ambiente onde vivemos é urgente? Vê que as populações marginalizadas têm sofrido as maiores consequências dos problemas ambientais? Pensa que a juventude tem um papel importante para fazer com que as mudanças aconteçam? Você quer participar de espaços políticos de decisão? Votar em representantes comprometidos com a causa ambiental e acompanhar suas atuações? Então, arregace as mangas e comece a organizar sua turma. 

AÇÃO

Você já mapeou as questões mais relevantes para a sua comunidade escolar (ver Percurso 01). Acesso à água e esgoto tratado, coleta de lixo precária, enchentes, rompimentos de barragens, invasão de territórios, desmatamento e queimadas ilegais, poluição, escassez de áreas verdes, esses são alguns dos problemas ambientais que você pode ter detectado em seu levantamento. Você também deve ter identificado pessoas que têm interesse em debater o tema e desenvolver agendas propositivas que orientem as políticas públicas de sua localidade. Agora, mãos à obra! Neste Percurso, vamos organizar a realização de debates sobre como promover ambientes saudáveis sem sacrificar o bem-estar de ninguém.

Pré-debate

Antes de realizar o debate, é preciso se planejar:

  1. Compartilhe sua ideia com pelo menos um/a professor/a da escola que apoie a iniciativa. Envolva essa pessoa em todas as etapas do debate.
  2. Escolha uma data em que toda a comunidade escolar possa participar e um local acessível.
  3. Convide até 3 lideranças de sua comunidade para debater: podem ser líderes de associação de bairro/produtores, cidadãos diretamente impactados pelo problema ou vereadoras/es e candidatas/os a estas eleições, pessoas que a comunidade escolar tenha interesse em conhecer e conversar. 
  4. Defina um código de conduta, claro e sucinto, que oriente os debatedores, mas também os organizadores e todos os participantes do debate, incluindo a audiência. Alguns pontos importantes: liberdade de expressão, sem tolerar o discurso de ódio; ambiente de respeito à pluralidade e diversidade de visões de mundo e suas expressões; compromisso com a honestidade e a transparência; respeito ao tempo e sequência determinada de perguntas e respostas.
  5. Desenvolva com sua equipe o roteiro do debate: perguntas, apresentadores, participação do público.
  6. Converse com os convidades sobre a atividade na escola: seu propósito, quem está sendo convidado a participar, os resultados esperados e, principalmente, apresente o código de conduta para um debate civilizado e democrático, definido previamente com sua equipe.
  7. Entrem em acordo sobre quem vai documentar as ideias e propostas discutidas durante o debate. É importante que essa pessoa escreva principalmente as falas e ideias apresentadas por jovens sobre como mudar o problema ambiental que vivemos (veja mais na tabela abaixo) 
  8. Pense em como incluir a problemática ambiental nas discussões cotidianas com seus colegas para que todos se familiarizem com ela. 
  9. Familiarize-se com as trajetórias e propostas de soluções para os problemas ambientais de sua localidade de cada um dos convidades. Se forem candidatas/os neste pleito, faça a leitura de suas propostas as discuta previamente com os organizadores do debate.
  10. Faça uma ampla divulgação sobre o debate nas redes sociais e junto à comunidade escolar, instigando reflexões e questões, que os incentive a participação.

Esperamos que ao fim da dinâmica os participantes estejam engajados em liderar mobilizações que visam mudanças sociais.

Debate Passo a Passo

1. Boas-vindas: Dê as boas vindas a todos os participantes; explique como vai funcionar o debate, informando a todos que as discussões  estão sendo documentadas e que haverá tempo para perguntas do público. 
Tempo estimado: 5 min

2. Apresentações: Mediadores e convidades fazem uma apresentação breve sobre quem são e como estão participando do debate democrático em 2022. 
Tempo estimado: 5 min

3. Lance as perguntas aos participantes: Comece lembrando os debatedores que o principal propósito do debate é apresentar as preocupações e anseios dos jovens em relação às causas ambientais na localidade, podendo estar na escala municipal, estadual ou nacional. Tenha em mãos 2-3 principais prioridades discutidas com sua equipe. Comece apresentando a primeira problemática. Busque trazer dados recentes de pesquisas que indiquem a gravidade do problema, os impactos para a região e para as juventudes. Questione modelos de desenvolvimento que sacrificam o bem-estar de alguns grupos populacionais da região em favor de outros. Pergunte como as ideias, propostas, soluções dos convidados vão permitir concretamente alterar essa lógica. Dê 3-4min para que cada candidata/s possa responder ou comentar. 
Tempo estimado: 15 min

4. Abra a discussão para o público: Neste momento os estudantes, professores, gestores, funcionários e familiares de sua escola poderão fazer outras perguntas ou comentários sobre os problemas ambientais que mais afligem os jovens e comentar suas propostas de mudança 
Dica! Para incentivar  a participação dos demais estudantes, pode pedir para que um mediador jovem comece dando seu ponto de vista sobre as questões socioambientais da região. Mas, lembre-se de pedir que seja breve para dar espaço aos outros participantes. 
Tempo estimado: 20 min

5. Debatedores respondem às questões dos jovens: É importante que sejam breves e  usem uma linguagem acessível a todes. Incentive respostas explicitem seus valores, visões de futuro e como pretende implementá-los estando no governo ou colaborando com ele. 
Tempo estimado: 10 min

6. Debatedores respondem às questões dos jovens: Os mediadores fazem uma breve síntese das principais ideias e informa que um resumo do debate estará disponível em [data] pelo [canal]. agradecendo a participação de todos e incentivando todes a votarem nas eleições e a participar ativamente do governo. 
Tempo estimado: 5 min

Pós-Debate

A ideia do pós-debate é dar aos jovens ferramentas, insumos e conteúdos para que as ideias que tiveram não fiquem só no papel: que esse espaço contribua para mobilizar juventudes visando a transformação social. Os passos abaixo podem ajudar nisso:

  1. Convide os mediadores a reunir as ideias e propostas centrais apresentadas no debate, tanto pelos debatedores quanto outros membros da comunidade escolar. 
  2. Elabore um documento com as proposições dos debatedores e participantes.
    1. Para esse documento: 
      1. Escreva uma introdução sobre o contexto do debate;
      2. Conte como o debate aconteceu: destaque os principais pontos, ideias e conteúdos discutidos;
      3. Conte quais foram as propostas apresentadas pelos jovens, liste uma a uma. 
        1. Caso tenha alguma proposta parecida, veja se faz sentido unir uma a outra.
    2. Na conclusão, descreva quais foram as aprendizagens. Resuma as propostas dos debatedores e dos jovens, dando para o leitor uma perspectiva da coerência entre as visões na pauta ambiental. 
  3. Revise o documento! É importante utilizar uma linguagem simples que dialogue com a cultura local. 
  4. Busque formas de produzir cópias do documento: sejam impressas, digitais ou produzidas manualmente.
  5. Distribua o documento entre os jovens e todos os membros da comunidade, mesmo os que não estiveram presentes. Assim, a discussão irá perpassar a bolha social!

PARA INSPIRAR

Documentário A Terra no Limite: A Ciência do Nosso Planeta, Netflix 2021.
Precisamos trazer a política de volta ao espaço público. Só a educação pode resgatar a força da política institucional. Por Gabriel Marmentini e Gabriela Fernandes. Poder 360.

Conheça histórias de Jovens que mobilizam redes para o enfrentamento dos maiores desafios ambientais de nosso tempo
Marcelo Borges. Mobiliza embaixadores do clima, que restauram as florestas por todo Brasil com o Folhas que Salvam.
Luísa Falcão, Bacia do Tapajós (PA)
Vitor Zanelatto, Plantando o Futuro (SC)
Luiz Henrique, Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (PA)
Hudson Terra, DesintoxicAção (PR)
Luan Torres, Projeto Arbo (PE)
Rhenan Cauê, Revitalização do Córrego Brejinho (TO)
Clara Gentil, Plantar um Mundo Melhor (PA)
Kenai, Jovens pelo Futuro do Xingu (PA)

REFERÊNCIAS

Conheça as 27 Propostas para um Ensino Médio Democrático, Inclusivo, Integral e Transformador
Mapbiomas. Rede colaborativa que monitora as transformações do território brasileiro. 2022
Mapa dos Conflitos na Amazônia Legal. Agência Pública e CPT. 2022.
Amazônia Real. Meio Ambiente, Povos Indígenas, Questão Agrária, Política, Economia e Negócios, Cultura. 2022
Repórter Brasil. Jornalismo investigativo de questões que ferem direitos trabalhistas e causam danos socioambientais no Brasil. 2022.
IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas. Pesquisa, Educação e Negócios Sustentáveis para a conservação da biodiversidade brasileira. 2022

AGORA É COM VOCÊ

Bora trilhar este Percurso na prática? Compartilhe com a Ashoka a sua ação de debates públicos na escola. Mande fotos, vídeos, relatos para nosso Instagram @ashokabrasil ou por email [email protected] que a gente vai compartilhar com a nossa rede e convidar você pra fazer parte de Um Mundo de Pessoas Que Transformam!

Por que usar estes percursos de debates públicos?

ESTUDANTES

Fortalecer a democracia e a capacidade de conversar sobre a vida pública é essencial para o presente e o futuro do Brasil. Mas sabemos que debater política neste momento também traz um misto de sentimentos. A política tem gerado divisões, desrespeito e intolerância. Muita gente acha que é sinônimo de corrupção e está cansada de promessas que nunca se cumprem. Mas, a fadiga democrática não vai nos salvar. Se a casa precisa ser arrumada, não adianta ficar se lamentando. Vamos arregaçar as mangas e nos organizar. Estes percursos de debates públicos na escola ajudam você a trabalhar com seus colegas para praticar e defender a política que representa os anseios dos jovens, que é pautada pela justiça, que respeita e dá voz a todos. Se você quer mudar a história e resgatar a esperança de viver num Brasil diferente, comece agora. A escola é o seu espaço público de diálogo e prática democrática. Vamos ocupar esse espaço!

PROFESSORES

Você quer promover a cultura democrática? Engajar a comunidade escolar em debates públicos? Disponibilizar um repertório de ações e atividades que amplifique as vozes das juventudes, não só no período eleitoral, mas no cotidiano? Se você defende uma escola democrática, pode e deve desempenhar um papel fundamental nesse processo! Estimule seus estudantes a usarem estes percursos de debates públicos. Construa espaços e momentos para estimular conversas e troca de ideias entre estudantes. Promova discussões sobre pautas de interesse da sua comunidade escolar. Incentive a participação institucional, dentro da escola, por meio de grêmios, associações de moradores, coletivos de jovens ou outras instituições. E, claro, fortaleça a participação democrática pelo voto. Muitos jovens buscam na escola um lugar seguro e estimulante para falar de política e dos desafios sociais!

FAMÍLIA

Mesmo não sendo assunto frequente em casa, a política faz parte da vida de todo jovem. Mas hoje, muitos se sentem desmotivados a discutir política por acharem que o tema gera discórdia ou porque não julgam saber o suficiente para entreter uma conversa. Até nas redes sociais, os jovens temem o cancelamento! Os últimos dois anos foram penosos e especiais na relação dos jovens com suas famílias. De forma geral, a pandemia os aproximou. Os jovens tiveram menos contato com outros espaços de socialização onde podem se formar politicamente, como as escolas, as igrejas e até as batalhas de rap e os bailes funk. Se você se sente responsável por criar condições para que seus filhos acreditem em si mesmos, que sejam conscientes dos desafios do mundo e do papel que podem ter na transformação social, estes percursos de debates públicos podem ser úteis a você. Eles também podem ser usados em família, na comunidade, serem apresentados à escola ou usados em outros coletivos.

No chão da escola

Os Percursos de Debates Públicos já estão por aí! Confira algumas atividades que já rolaram para promover a cultura democrática no ambiente escolar.

Jovens enfileirados posando para foto. No chão à frente do grupo, há folhas de papel e notas adesivas

E.E. Amélia Kerr Nogueira

Oficina de sensibilização realizada no dia 05/07 junto a integrantes do Grêmio Estudantil Karina Gomes

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Grupo de jovens seguram cartazes sobre cultura democrática. À sua frente, há uma mesa com diversas folhas de papel com notas adesivas

E.E. Santa Cruz do Deserto

Oficina de sensibilização realizada no dia 02/08 junto a integrantes do grêmio estudantil, conduzida pelo projeto Visibilidade da Juventude Rural

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Grupo de jovens seguram cartazes sobre cultura democrática

Colégio Estadual Dom Bosco

Oficina de sensibilização realizada no dia 11/08 junto a estudantes do Ensino Médio

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Quer participar?

Entre em contato conosco pelo e-mail [email protected] ou pelo Instagram @ashokabrasil. Nós vamos acompanhar a evolução dos debates públicos em sua escola e responder às suas dúvidas!

Iniciativa

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Conteúdo e Sensibilização

Tem dúvidas sobre como usar estes percursos de debates políticos? Contate [email protected]