Conheça as novas empreendedoras sociais e novo empreendedor social da Ashoka

  • Raquel Rosenberg
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Nova ideia

Raquel busca aumentar o impacto e a representação que os jovens (entre 14 e 29 anos) têm na política local, regional, nacional e internacional, mostrando que, mudando a si mesmo, sua comunidades e engajando-se politicamente, eles podem mudar sua realidade. Para isso, ela criou o Engajamundo, uma plataforma construída por e para jovens brasileiros, permitindo que eles se conectem e recebam treinamentos de seus pares sobre questões que têm impacto direto em suas vidas. Ao oferecer a oportunidade para os jovens estabelecerem conexões e aprenderem uns com os outros, o Engajamundo estimula e permite que pessoas de todos os lugares desenvolvam soluções para os problemas, criando um verdadeiro canal de ação.

Para mobilizar jovens em todo o Brasil, o Engajamundo faz parcerias com outras instituições. Uma vez parte da rede Engajamundo, os membros se auto-organizam em torno de questões que são do seu interesse, formando grupos de trabalho para pesquisar e desenvolver ideias e centros locais, com o objetivo de criar planos de ação para cada um dos tópicos identificados. Em seguida, os membros são incentivados a participar dos treinamentos, organizados em todo o país pelos próprios jovens (virtual e pessoalmente), onde eles aprofundam seus conhecimentos e a conscientização política, social e ambiental. Os grupos estão interligados através da plataforma online que o Engajamundo fornece. Lá, eles discutem questões nacionais e internacionais de maneira igualitária e respeitosa, e decidem sobre compromissos conjuntos. Essa plataforma, bem como o jeito respeitoso como os participantes dialogam e debatem, é um novo formato introduzido pelo Engajamundo. No futuro, todos os participantes do Engajamundo formarão uma nova geração de tomadores de decisão, que construirão a sociedade de uma forma diferente –  com base no respeito, na responsabilidade social e na sensibilidade ecológica.

O Engajamundo é uma organização descentralizada, cujos níveis de influência e ação dependem do engajamento de cada centro local não financiado. Nos últimos anos, a rede de grupos locais espalhou mais de 2000 pessoas em 20 estados. O Engajamundo é especialmente forte no Norte e no nordeste do país, onde há menos oportunidades para os jovens. Raquel e sua organização os incentivam a resolver problemas que os atingem com suas próprias mãos. Pessoas de outras partes da América Latina que seguem e se identificam com o Engajamundo estão começando a se inspirar e a fazer algo semelhante em seus países.

 

  • Natalia Viana

Nova Ideia

Natalia está redefinindo o jornalismo independente no Brasil. Ela fundou a Agência Pública, a primeira organização sem fins lucrativos do país voltada para o jornalismo investigativo no campo dos direitos humanos. Ela criou um modelo único. A agência só produz jornalismo investigativo, que é reproduzido irrestritamente pelos principais portais de notícias e jornais brasileiros. Além disso, através do “Casa Pública”, um dos braços da Agência Pública, Natalia desenvolveu uma plataforma para o debate público, que permite o surgimento de novas iniciativas.

Os materiais produzidos pela Agência Pública relacionados a transparência e a direitos humanos são reproduzidos pela imprensa tradicional, trazendo, assim, pluralidade à agenda pública. Dessa forma, ela está combatendo a concentração de poder do mercado midiático e a desinformação do público, criando uma nova demanda por informações de alta qualidade.

Na Casa Pública, o primeiro centro cultural de jornalismo independente do país, ela realiza debates abertos sobre a produção de notícias, experimenta novos formatos de jornalismo, promove intercâmbios com jornalistas estrangeiros e incuba novas iniciativas. Natalia imagina um jornalismo mais rico, com mais atores que representem a diversidade de uma sociedade democrática. Seu trabalho contribuiu para o recente aumento de dezenas de iniciativas de jornalismo independente em todo o país e na América Latina.

  • Diane Sousa

Nova ideia

"Esporte para o desenvolvimento social" é uma área dinâmica e crescente, que oferece aos jovens e às comunidades ferramentas divertidas e de alto significado, para que administrem os desafios e oportunidades da juventude, da vida e da convivência. Essa área combina muito com a própria cultura brasileira, atrai apoio e interesse do público, bem como de patrocinadores locais e internacionais. Essas oportunidades raramente chegam a cidadãos que moram em estados distantes do Norte, mas o trabalho de Diane está preenchendo essa lacuna e oferecendo mais oportunidades para novas populações, com foco personalizado na relação democrática que possuem com o espaço público.

O objetivo de Diane é de que todas as pessoas possam crescer e correr atrás de seus sonhos, onde quer que estejam, sem que precisem se estabelecer em algum lugar específico ou que precisem mudar de um lugar para outro em busca de uma vida melhor ou de uma educação de mais qualidade. Diane está dando o primeiro passo ao criar uma série de programas esportivos destinados a reunir as comunidades para limpar lotes não utilizados e praças da cidade, que são usados para atividades recreativas e seguem à disposição para uso público contínuo. Os benefícios são muitos. Os jovens aprendem a história de sua cidade. Pais e vizinhos participam. Além disso, uma vez que menos da metade das escolas no norte do Brasil tem instalações esportivas, a escola conecta-se com sua comunidade de uma maneira nova e em um ambiente mais equilibrado, por assim dizer. Diane quer ver cidadãos com boas intenções e atividades construtivas e inclusivas acabarem com o crime.

Criado por Diane, a Incubadora de Esportes e Cidadania trabalha com comunidades marginalizadas tanto em cidades quanto em áreas rurais. Um dos grupos com quem trabalham são os quilombolas, descendentes de escravos que fugiram das fazendas e estabeleceram suas próprias comunidades livres no Norte. Apesar de possuírem nobre história e reconhecimento especial na Constituição, os quilombos muitas vezes permanecem pobres e analfabetos, cortando cana-de-açúcar, vivendo em condições pré-modernas, sem saneamento adequado e acesso a recursos do Estado. Nas cidades, Diane trabalha com bairros afetados pela violência e pelo desemprego.

A abordagem de Diane chamou a atenção do governo do Maranhão, que começou a incluir seus métodos e materiais no currículo escolar. Programas de esporte para o desenvolvimento no Azerbaijão e em Moçambique também já adaptaram seu trabalho.

  • Sérgio Serapião

Nova ideia

Em 30 anos, a população idosa brasileira superará a dos jovens. A falta de políticas públicas efetivas voltadas à prestação de serviços para essa população, aliada ao desmantelamento do sistema previdenciário, reforçam a necessidade da sociedade civil redefinir as oportunidades disponíveis para os idosos. Para Sérgio, essa mudança envolve o engajamento de pessoas de todas as idades e, principalmente, o reconhecimento de que os idosos devem ser os protagonistas de suas próprias vidas. Por isso, ele criou o Lab60+, um movimento nacional de, por e para idosos, cujo objetivo é trazer respostas positivas e impulsionar as inovações sociais para a longevidade.

Sérgio quer encontrar novos papéis na sociedade que só os idosos possam desempenhar. Sob o guarda-chuva do Lab60+, ele desenvolveu diferentes inovações – todas valorizando o conhecimento dos idosos. Para acelerar as inovações sociais para a longevidade, Sérgio criou a primeira incubadora no Brasil focada exclusivamente em soluções para a vida depois dos 60 anos. Paralelamente, criou um festival nacional anual sobre longevidade. Esse tipo de evento não é novo, mas a forma como o público e a agenda são construídos por Sérgio o tornam inovador. Sua metodologia permite o desenvolvimento de um ecossistema de diferentes atores que estão envolvidos na criação de um ambiente favorável aos idosos. Isso representa um ponto de partida para a criação de várias iniciativas.

Sergio conta com um movimento horizontal e descentralizado. O Lab60+ é realizado por filiais estabelecidas em várias cidades do país. Ele acredita que todos devem fazer parte do futuro. Portanto, o movimento recebe pessoas de diferentes origens e idades, o que abre a possibilidade de muitas conexões intergeracionais e improváveis, além de ser um espaço para o exercício da empatia e da criatividade. Ao mesmo tempo, seu modelo permite a autonomia, uma vez que cada filial é liderada pela população local. Ele também desenvolveu uma metodologia para ajudar a orientar cada uma dessas filiais, a fim de obter o melhor do Lab60+ e difundir uma nova estrutura de longevidade.